Água no samba

Sonia Racy

15 de fevereiro de 2015 | 15h41

Passava de meia-noite quando Fernando Haddad chegou ao Anhembi – já com a camisa da marca de cerveja patrocinadora. Ar cansado, mas pronto para a luta, mãos dadas com Ana Estela, passou 10 minutos cercado de repórteres e logo sumiu no corredor rumo à sala VIP do Camarote da Cidade. Ali se refugiou por cerca de uma hora.

Mas já havia deixado, pelo caminho, alfinetadas no governo Alckmin. A uma pergunta sobre se faltaria água no Anhembi, garantiu que não. E cobrou: “Mesmo no momento em que todos negavam o problema, no ano passado, a Prefeitura já mandava o pessoal economizar”.

Também defendeu seus feitos, ao falar do sucesso dos blocos de rua – que este ano chegaram a 300 e, diz ele, estão “devolvendo o clima de carnaval à cidade”. Deixou pelo caminho frases à la João Santana: “Se São Paulo era tido como túmulo do samba, provamos o contrário. A capital é uma cidade aberta ao samba”.

Mancha Verde e Acadêmicos do Tucuruvi tinham ido embora e passava de 2 da manhã quando ele, enfim, saiu da sala VIP já perguntando: “Quem vai desfilar agora?”. E tropeçou numa infindável multidão de curiosos a puxá-lo pelo braço, pedindo selfies, que ele atendia com um sorriso gentil e conformado.

Seu contato direto com a avenida durou menos de dez minutos – foi quando, junto ao alambrado, viu a bateria da Tom Maior, animada, levantar a plateia.

Ela se iguala à bateria da Padre Miguel, do Rio? “Não sei, não sou especialista”, defendeu-se. E voltou ao refúgio, de onde foi embora lá pelas 3h. Levando, a rigor, uma nota baixa no quesito animação – pois nem concorreu. E pelo menos duas notas 10, nos quesitos paciência e cordialidade. /GABRIEL MANZANO

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