Agronegócio e o governo Temer: ‘É vencer ou vencer’

Agronegócio e o governo Temer: ‘É vencer ou vencer’

Sonia Racy

15 de junho de 2016 | 00h36

IARA MORSELLI/ESTADÃO

IARA MORSELLI/ESTADÃO

O jantar em que a Sociedade Rural Brasileira festejou seus 97 anos, anteontem, no Rubaiyat, incluiu um decidido apoio ao governo Temer – referendado por um chamado geral de Gustavo Junqueira (na foto, à esquerda). “Não temos o luxo de retroceder, é vencer ou vencer”, proclamou o presidente da SRB, no discurso de elogio ao convidado de honra da noite, o ministro da Agricultura Blairo Maggi, agraciado no evento com o Mérito Rural 2016.

Junqueira fez o que chamou de “breve avaliação do momento histórico”. Nela, mencionou que “a atuação do agro foi fundamental” para o afastamento de Dilma do Planalto. Detalhando essa operação, ele lembrou um discurso que chamou de inspirador – feito por Rubens Ometto em maio de 2014, em evento em Nova York. “Naquela ocasião, com todas as letras, ele disse que tínhamos que tomar uma atitude, pois a administração federal estava levando o Brasil à ruína”. Mais adiante, chamou de “divisor de águas” a decisão da Frente Parlamentar da Agropecuária que apoiou o impeachment e garantiu, na Câmara, 87 dos 92 votos do bloco em favor do afastamento da presidente.

Junqueira se voltou, então, para os problemas do campo. “Muito tem sido escrito e debatido” sobre o sucesso do agro no Brasil, afirmou.. “Ao mesmo tempo se questiona ‘quem’ ou “o quê’ seria responsável por termos algo hoje que funciona tão bem – mesmo diante de tanta incompetência, ineficiência e corrupção.” Feita a constatação, passou a analisar os grupos que “amam o Estado e buscam nele a solução para seus problemas (…) Isso não é capitalismo nem patriotismo, é simplesmente oportunismo. E o resultado de seu uso contínuo chama-se falência”.

Não faltou na fala do presidente uma avaliação sobre o futuro do setor. Junqueira considerou importante “alterar a lógica do uso da terra, saindo de uma visão social para uma visão econômica, e repensar toda a estrutura de financiamento”. E propôs que os conflitos sejam eliminados através da meritocracia e a segurança jurídica seja consolidada. Nesse ambiente, “a enorme demanda de recursos poderá ser suprida por investidores privados e ficaremos cada vez menos dependentes de um Estado lento e ineficiente”.

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