Acordo com governo era mal menor para bancos, avalia Setúbal

Sonia Racy

29 de novembro de 2017 | 01h20

ROBERTO SETÚBAL.

ROBERTO SETÚBAL. FOTO: ALEX SILVA/ESTADÃO

O sistema financeiro aceitou pagar R$10 bilhões aos poupadores por causa de três planos econômicos – segundo acordo fechado esta semana com o governo –, não por achar que é devedor. Os bancos apenas entenderam que esse é um mal menor frente ao que poderia acontecer no futuro – com o risco, até, de uma quebra do sistema financeiro do País.

A avaliação é de Roberto Setúbal, copresidente do conselho do Itaú. Os bancos, diz ele, simplesmente obedeceram às leis decretadas pelo governo, tirando do rendimento do poupador quantia igual à que o governo subtraiu do sistema. “Ninguém teve ganho financeiro sobre o poupador”, garantiu à coluna ontem.

Espécie de prêmio de ‘seguro’

Mas então, por que aceitaram pagar esses R$ 10 bilhões? Foi “uma espécie de prêmio de ‘seguro’ para não colocar em risco o futuro”, explica Setubal.

Seguro contra o quê? Contra a possibilidade de o STF considerar inconstitucional essa parte dos programas econômicos. Nesse caso, teriam que pagar aos poupadores – e depois ir brigar na Justiça para recuperar… – um valor estimado entre R$ 180 bilhões e R$ 300 bilhões.

10 mil bodes na sala

Para Setubal, “puseram 10 mil bodes na sala – e o sistema aceitou pagar 100”.

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