Acionistas ‘obrigam’ Exxon a ser transparente na área ambiental

Sonia Racy

31 Maio 2017 | 18h51

Se Trump resiste a conviver com as normas do Acordo de Paris, a maioria dos acionistas da gigante Exxon vai na direção oposta. Em reunião terminada no fim de tarde desta terça-feira, nos EUA, 62% dos votos foram de aprovação a uma medida que exige contabilização dos riscos climáticos da empresa.

Na prática, a empresa terá de adotar portfólio alinhado com o Acordo Climático assinado por mais de 100 países, em Paris. Isso significa, entre outras, a publicação de uma avaliação anual dos impactos de longo prazo de suas estratégias, que vão na direção oposta à que desejaria o presidente americano.

O resultado de 62% teve a adesão do maior fundo de investimento do mundo, o BlackRock — o que vem sendo entendido como uma mensagem de que as forças do mercado vão pesar cada vez mais na transição para uma economia de baixo carbono.

“Os investidores esperam que as empresas – especialmente as de uso intensivo de carbono, como a Exxon – mostrem como estão lidando com os riscos e oportunidades”, diz Sue Reid, vice-presidente de clima e energia da Ceres, uma das maiores do mundo na defesa da sustentabilidade. “O negócio do tipo ‘como sempre foi’ já não é uma opção para empresas com alto consumo de carbono”., diz a executiva.