“Acho que peguei covid-19 em uma festa”, afirma médica Angelita Habr-Gama

“Acho que peguei covid-19 em uma festa”, afirma médica Angelita Habr-Gama

Sonia Racy

12 de maio de 2020 | 00h36

Médica Angelita Habr-Gama – Foto: Clayton Souza

Indagada sobre onde acredita ter sido contaminada pelo coronavírus, a conceituada médica Angelita Habr-Gama não vacilou: “Acho que peguei em uma festa há quase dois meses, tinha muita, muita gente”, contou à coluna, por celular ontem. A senhora, de 91 anos, teve alta neste domingo “sem nenhuma complicação”, explica.

Lamentavelmente, a médica acabou sofrendo um outro tipo de ataque nesses 54 dias consecutivos de internação: o das fake news, nas mídias sociais, dando conta de que havia morrido. “Não vou falar sobre isso, quero sim agradecer a toda equipe médica, de colaboradores, à equipe multidisciplinar do Oswaldo Cruz. Quero também agradecer a força dos amigos e colegas, porque isso ajuda na recuperação”, frisa, elogiando o hospital onde ela detectou o vírus, se internou, sempre trabalhou e trabalha.

Quando a senhora volta a atender? “Acredito que na semana que vem já terei condições”, pondera. Quantos dias ficou na UTI? Fiquei 50 dias e outros quatro em quarto normal do hospital, antes de receber alta.

Quais sintomas da doença a senhora teve antes de ser diagnosticada? “Não tive febre, tosse ou perda de olfato, só muita, mas muita dor pelo corpo inteiro, algo insuportável”, lamenta a experimentada cirurgiã, reconhecida internacionalmente por sua atuação na área de coloproctologia e trabalho como pesquisadora. “Essa é uma doença que prostra, prostra completamente”.

Que tipo de pensamentos apareceram durante a internação na UTI? A senhora acreditava que iria vencer o vírus? “Olha, quando a gente está na UTI, não pensamos em nada. Quando saí, tive certeza que tinha ganho a batalha”, conta a paciente, que conforme comunicado do hospital emitido no domingo à noite, “tem significado especial para todos nós do Oswaldo Cruz e para todos os profissionais da saúde”. Angelita trabalha na instituição desde 1960 e “é uma referência para todos”. Vê-la curada, depois de uma intensa batalha contra o vírus, renova nossa confiança na medicina, na ciência, na luta para salvar vidas e traz imensa alegria a todo o corpo clínico e assistencial da instituição”.

O que a senhora recomenda para a população brasileira? “Não saiam de casa, esse vírus não é brincadeira”, reforça Angelita.

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