‘Acho incrível ser enredo de escola de samba em vida’, diz Martinho da Vila

‘Acho incrível ser enredo de escola de samba em vida’, diz Martinho da Vila

Direto da Fonte

14 de março de 2022 | 04h50

Martinho da Vila. Foto: Fernando Sant'Ana

Martinho da Vila. Foto: Fernando Sant’Ana

Há um bom tempo Martinho da Vila recebeu a notícia de que será homenageado no samba-enredo de sua escola de samba do coração, a Vila Isabel. Com a pandemia e o carnaval adiado há mais de dois anos, Martinho, meio a contragosto, espera o carnaval “fora de época” – marcado para fim de abril – para receber a homenagem. “Por mim não faria carnaval em abril, deixava pra fazer tudo em fevereiro do ano que vem, quando a pandemia já vai ter se diluído bastante”, disse à repórter Sofia Patsch, em entrevista feita por telefone.

Aos 84 anos, o cantor anunciou na semana passada o lançamento do último disco completo de sua carreira, “Mistura Homogênea”. Sobre a decisão, Martinho explicou: “No mercado atual, o ideal é lançar uma ou duas músicas nas redes sociais e trabalhá-las”. E é assim que ele pretende fazer daqui para frente.

Questionado sobre a amizade com Lula, ele foi direto: “se o amigo pedir”, ele faz, sim, campanha para ele. “Faço tudo pelos meus amigos”. A seguir os melhores trechos da conversa.

Já faz dois anos que adiam o carnaval em que você será homenageado pelo enredo da Vila Isabel. Como anda a expectativa para esse carnaval “fora de época”?

Por mim não faria carnaval em abril, deixava pra fazer tudo em fevereiro do ano que vem, quando a pandemia já vai ter se diluído bastante. Carnaval em abril não é igual ao de fevereiro, que tá tudo nesse campo da alegria, do verão. Mas vamos ver, né? Estou muito honrado com essa homenagem. Achei incrível ser enredo de uma escola de samba em vida, o que é bastante raro. E ainda por cima, pela minha escola de samba do coração.

Você vai lançar dois e-books contando a história do Cartola e do Noel Rosa para jovens. Como surgiu a proposta?

O Miguel de Almeida, diretor da editora Lazuli, me convidou para fazer uma série contando a história de sambistas que a juventude quase não conhece. De cara tive a ideia de escrever sobre o Noel Rosa, meus filhos menores não sabiam quase nada sobre Noel. Então é uma série para apresentar esses grandes nomes para a nova geração. Já estou trabalhando nos próximos capítulos, sobre Paulinho da Viola, Leci Brandão ou Dona Ivone Lara.

Além de compositor, você é escritor, tem mais de 20 livros publicados e já foi sondado pela Academia Brasileira de Letras. Como anda essa história?

Tem uns acadêmicos que sempre que me encontram dizem que querem me ver lá. Me candidatei uma vez, porque sou um pouco militante dessas questões da negritude, e há um segmento do movimento negro que diz que temos que estar em todos os lugares, ocupar todos os espaços possíveis e tal, mas não estava pensando muito nisso, não é meu projeto de vida, entende? É uma coisa boa, homenagem é sempre bom e creio que quase todos os escritores gostariam de estar na Academia. Tem aqueles que dizem que não. Lembro do Ferreira Goulart, que falava: não vou entrar naquela porcaria, é cheia de velho. Acabou lá (risos).

Acabou de lançar seu último álbum completo da carreira. Por que essa decisão?

Tomei essa decisão porque no mercado atual o ideal é lançar uma ou duas músicas nas redes sociais e trabalhar, como não tem mais disco físico. Conversei com o presidente da Sony, daqui pra frente vamos lançar uma música nova a cada dois meses.

Em entrevista recente, você disse que ia votar no Lula e que, se ele lhe pedisse, faria campanha para ele. Ele já pediu? Vai fazer?

Conheci o Lula naqueles showmícios pelas Diretas Já, foi assim que nos conhecemos, depois ficamos anos sem nos vermos, até que fiz o lançamento de um livro em São Paulo e ele apareceu no evento. Nos aproximamos e fomos ficando amigos. E para meus amigos faço tudo, faço até campanha para ele se pedir, se quiser. E de uma maneira direta já estou fazendo até, mas ele ainda não me pediu oficialmente.

 

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