Aberto há 365 dias…

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Sonia Racy

17 Julho 2015 | 01h12

André Sturm (Foto: Iara Morselli/Estadão)

Ao lado de Nabil Bonduki, André Sturm comemora, a partir de domingo, um ano da vitória em uma longa batalha: a reabertura do Caixa Belas Artes. Depois de grande mobilização popular e apoio da Prefeitura e de setores da sociedade civil, o cinema foi devolvido aos paulistanos, ao fim de um hiato de três anos.

Nas comemorações, domingo, além da renovação do patrocínio com a Caixa por mais um ano, será anunciada a formação do Conselho de Amigos do Cine Belas Artes que – segundo o secretário de Cultura – será composto por 21 membros. O grupo inclui o próprio Nabil, Alfredo Manevy, da SPcine, Nádia Somekh, do Compresp, Alcides Amazonas, subprefeito da Sé, mais personalidades da vida cultural paulistana como Tata Amaral e Renata de Almeida.

Sturm conversou com a coluna sobre o balanço desse período e os desafios que terá de enfrentar nos próximos doze meses. Abaixo, principais trechos da entrevista.

Qual é a avaliação que você faz desse primeiro ano?

Conseguir reabrir o cinema foi incrível, principalmente com tanta gente apoiando. É importante dizer que o público cresceu de forma avassaladora, mas é um crescimento comparado ao período imediatamente anterior ao fechamento. A experiência de patrocínio da Caixa foi positiva, porque garante a operação. Conseguimos pagar um aluguel que é razoável para o proprietário e continuar com as atividades do cinema.

Acha que o cinema de rua continua sob constante ameaça?

A questão do cinema de rua – sempre gosto de falar isso – não é o público. É que a atividade “cinema” é muito cara. Em um imóvel de rua, você tem competir com o aluguel de outros negócios muito mais rentáveis – como, por exemplo, uma loja de departamentos. Já os cinemas de shopping têm uma condição de locação diferente. São parte do atrativo oferecido ao público pela administração da empresa. Por isso, o patrocínio tem sido fundamental. Além de outros apoiadores, como a Prefeitura.

A Paulista está muito em evidência, por causa da ciclovia, e agora se discute até a possibilidade de fechá-la a carros aos domingos. Acha que seria benéfico para o cinema?

Não sei se a ciclovia gera tanta benefícios para o cinema. Mas ter a Paulista disponível como área de lazer aos domingos pode, sim, estimular as pessoas a fazerem um programa mais amplo. Não deu para avaliar ainda, mas claro que é uma boa iniciativa.

Acha que a esquina da Paulista com a Consolação – considerando a boa parceria com o Bar Riviera – pode se tornar, cada vez mais, um ponto de encontro?

Sim. A relação com o Riviera é ótima e temos conversado com a Prefeitura para tentar incrementar o uso da passagem subterrânea da Consolação, que é controlada pelos livreiros. Queremos chegar a um acordo porque, com a limitação de espaço que eles trazem, a passagem fica fechada à noite e aos domingos.

Qual o seu balanço sobre a programação até aqui?

Esse ano exibimos mais de 560 filmes, dos quais 97 nacionais e 21 estreias. Mantivemos marcas do cinema como o projeto Noitão e tentamos manter alguns filmes mais tempo em cartaz – como Relatos Selvagens, por exemplo, que vai completar 42 semanas.

E para o futuro, quais as ideias em discussão?

Além de manter a identidade da nossa programação, que é feita com um extremo cuidado, o plano para esse segundo ano é aumentar as atividades.

De que tipo?

Como bem diz o nome, Belas Artes, quero que o cinema possa ser um espaço para receber exposições, música, debates. Em suma, pretendemos ampliar esse olhar. O objetivo do nosso primeiro ano foi “botar para funcionar”, o que foi extremamente complexo, até mais do que a reabertura em si. / MARILIA NEUSTEIN