A volta de Pinky Wainer às galerias com a série “Mulheres Dopadas”

A volta de Pinky Wainer às galerias com a série “Mulheres Dopadas”

Direto da Fonte

26 de março de 2022 | 04h50

Pink Wainer. Foto: João Wainer.

Pinky Wainer. Foto: João Wainer.

Após vinte anos sem expor suas obras, Pinky Wainer volta às galerias com as séries Mulheres Dopadas e A Pintora Esquecida – um potente conjunto de trabalhos desenvolvidos durante a pandemia, que são mostrados a partir de hoje na Lanterna Mágica, espaço dedicado à experimentação recém-inaugurado em Higienópolis.

Além da centralidade das figuras femininas que enfrentam um ambiente opressivo e amedrontador, a artista propõe um mergulho na vivência angustiante do confinamento. “É meu trabalho mais íntimo, mais particular”, explica. Confira entrevista abaixo.

Após hiato de 20 anos, por que sentiu que era hora de voltar à cena?

Estava quieta, fazendo minhas aquarelas, quando meu curador e amigo Ricardo Sardenberg veio me visitar e ver a série Mulheres Armadas. Aproveitei e mostrei as Mulheres Dopadas e, quando ele olhou, falou: “Uau, quero expor isso aqui, vamos expor isso aqui”. Fiquei na maior felicidade, é um trabalho que adoro, fiz pra mim, sabe, totalmente sem precisar do olhar do outro, sem ego, nada.

E afinal, por que ficou tanto tempo sem expor?

Depois dos 40 anos ninguém quer mais a gente.

Não fale assim… (risos).
Luto pra que todas as mulheres tenham seu trabalho reconhecido, independente da idade, mas a realidade ainda é outra.

Sim, aos poucos o etarismo – preconceito baseado na idade, principalmente das mulheres – está sendo mais discutido no Brasil.

Completamente. Mas ainda é uma realidade que se mistura um pouco com o fim da pandemia, os sentimentos internos nossos, em casa, em casas fechadas, e também com o momento político, em que o valor da mulher está sendo muito maltratado. Prevejo – não desejo, mas prevejo – perdas de grandes vitórias que já conquistamos.

Acha que as conquistas das mulheres vão dar uns passos pra trás?

Não, acho que os passos que foram dados já estão dados e mulher não é bicho covarde. Mas acho que haverá momentos de preconceito mesmo, da volta à casa pra cuidar dos filhos, ir pra igreja, sabe? Uma coisa da Idade Média.

Por isso suas mulheres estão dopadas?

Minhas mulheres são dopadas de tarja preta, tá, ninguém aqui trabalha com drogas ilícitas (risos). A tarja preta entrou na nossa vida para ajudar a conviver com o cotidiano de uma maneira mais suave. E elas vieram pra ficar. Só posso te dizer uma coisa: é muito bom viver com liberdade. l SOFIA PATSCH

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.