A vida sem Dona Ruth, por FHC

Redação

30 de maio de 2009 | 06h00

Ao falar pela primeira vez sobre a morte de Ruth Cardoso e de sua vida sem ela, FHC conseguiu, como sempre, ver o lado melhor da história: “Me consola o modo como a Ruth morreu. Estava conversando com o Paulo Henrique (filho mais velho do casal), disse “ai” e caiu. Mas isso é uma bênção”, revelou a Guilherme Malzoni Rabelo, que lança, dia 4, na Cultura, nova edição da sua revista Dicta & Contradicta.

Depois de falarem um bom tempo sobre filosofia e assuntos altamente acadêmicos, a conversa resvalou para o diálogo Fédon, de Platão, e a idéia da morte. Foi FHC quem puxou o assunto: “Há sempre uma certa angústia, não é? Passei recentemente por um momento difícil, que foi a morte de Ruth…”

Segundo seu relato, ambos sabiam que ela tinha um problema de saúde e não aceitavam o problema. “Mesmo sabendo de tudo, custamos a introjetar a possibilidade do fim. (…) Você sabe que é finito e, no entanto, vive como se fosse eterno. (…)

Sobre si mesmo: “Eu, que vou fazer 78, posso dizer: ‘Olha, ser eterno deve ser uma chatice!’ Mas começo a sentir um temor de andar sozinho que nunca tive antes.

Falaram também de religião, quando FHC lembrou seus tempos de católico. Disse que ficava “muito nervoso” porque sua irmã não rezava o suficiente. E trouxe à conversa um crucifixo que lhe foi dado por dom Eugênio Salles:

“Olha, este crucifixo foi abençoado pelo Santo Padre. Você não precisa rezar, nem guardá-lo”. Ele deixou o crucifixo na cabeceira da cama e nunca mais o tirou.”Por respeito? Certamente, mas não só. Sabe Deus…”

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