A turma da música, bem longe da Paulista

Sonia Racy

15 de março de 2016 | 00h17

Era domingo, era um evento badalado, tinha muita gente reunida… mas não era a Avenida Paulista. O segundo dia do Lollapalooza, em Interlagos, atraiu muita gente, famosa ou não. Mesmo assim, na pista e no camarote, as cores da bandeira brasileira estiveram presentes. Eram manifestantes que não foram à Paulista protestar contra o governo, mas que quiseram dar seu recado .

Médico, Waldyr Muniz torcia para que as manifestações não acabassem “em pizza”. Questionado sobre a camiseta com o logo da CBF, envolta em escândalos do futebol, disse estar consciente da corrupção no meio, mas perguntava: “O que representa o Brasil lá fora? É o futebol. Então, esse é um jeito de mostrar para o mundo…”

Ricardo Feliz, advogado e economista, foi de regata verde e amarela. Disse ter ido à Paulista, mas por “apenas sete minutos”. “Ver seu presidente com pedido de prisão preventiva dá uma luz no fim do túnel, uma esperança”, declarou sobre o pedido do MP paulista, atribuindo ao ex-presidente Lula seu antigo posto.

Dorival Neto, relações-públicas, também foi à Paulista antes de se dirig ir para o autódromo. Contava ter-se emocionado, “com as lojas todas tocando o Hino Nacional, foi muito bonito”. Ele diz entender quem defende Lula, “(pessoas) beneficiadas por essas ações populistas. Mas isso tem que acabar, como está acabando na Argentina.”

A promotora de eventos Tarly Lima era uma das manifestantes que diziam “não a Dilma”. Vestida de verde, azul e amarelo, ela trabalhava no evento e esclareceu que foi convidada, com outros 40 funcionários, a vestir a camiseta. Foi obrigada? “Não. Eles perguntaram quem toparia usar a camiseta. Todo mundo topou”. Seu candidato nas últimas eleições? Ela olha para o lado e diz: “Não me lembro, acredita? Desculpa, mas não lembro mesmo…”.

Eric Andrade, engenheiro, era dos poucos claramente apartidários. Com uma bandeira presa ao pescoço, dizia-se “a favor da mudança de todos nós brasileiros”, que “precisamos parar de agir como corruptos, parar de furar fila, de sonegar. Temos que mudar começando por nós mesmos”, insistiu.

No auge do show de Florence, os vips foram ao delírio na hora em que ouviram seu maior hit. A canção? Dog Days Are Over. Ou, Os Dias de Cão Acabaram. / PEDRO HENRIQUE FRANÇA

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