A Terra é azul

A Terra é azul

Sonia Racy

28 de março de 2012 | 01h01

Em tempos de Rio+20, uma pequena plateia se reuniu, domingo, em uma casa no alto do morro de Santa Tereza, no Rio, para ouvir Sylvia Earle, reconhecida oceanógrafa. Com 7 mil horas de mergulho nas costas, a cientista de 77 anos era, até duas semanas, recordista absoluta dos mares profundos: desceu a 8 mil metros. Mas acaba de ser superada por “my friend Jim”. James Cameron, diretor de filmes como Titanice Avatar, afundou a 11 mil metros, na Fossa das Marianas.

Quando não está debaixo d’água, ela, que já foi chefe da Agência Americana para Oceanos e Atmosfera, faz palestras pelo mundo – como aconteceu no Fórum de Sustentabilidade, em Manaus, no último fim de semana. E participa de conselhos de empresas consideradas inimigas do mar, as petroleiras. “Elas buscam evitar o mal. Entretanto, são atropeladas pelo desconhecido, e é aí que o desastre se dá. Pouco se sabe sobre as reais consequências de fazer buracos no fundo do mar, de onde jorra, muitas vezes, além do petróleo, o gás metano”, observa Sylvia.

O homem, que chegou a Marte, não tem instrumentos claros para medir consequências do que faz com o que ela chama de Planeta Azul. “Já perdemos 90% das nossas espécies marítimas e 50% dos corais, mas só 1% de todo o oceano é protegido”. Lembra ali, para convidados do anfitrião, Olavo Monteiro de Carvalho, e de Roberto Klabin, do SOS Mata Atlântica, sermos todos acionistas do planeta. “Perderemos o valor das nossas ações se não mudarmos o modo como medimos o sucesso. E não precisamos jogar fora velhos modelos de mercado, mas, sim, incorporar a natureza a eles”, receita.

Ante a história da humanidade, cuja característica é a reação e não a ação, o que deve acontecer primeiro? O homem destruirá a Terra ou a Terra destruirá o homem? “Pela primeira vez na história da civilização, temos tecnologia para entender como o planeta funciona a nosso favor. E mudarmos atitudes que nos prejudicam”. Para Sylvia, o que está nos salvando é o conhecimento. “Estamos começando a compreender e será esta noção a impulsionar a reação. Todos querem sobreviver”, espera.

Dá como avanço o fato de o Reino Unido ter decretado a preservação de 1 milhão de quilômetros quadrados de mar em volta da ilha. E a Austrália, que acaba de proteger sua Blue Australia, duas vezes maior que o continente. “Outros virão. O Brasil, por exemplo, tem uma ótima oportunidade de brilhar na Rio+20, decretando a extensão da proteção de seu mar”.

Está dado o recado.

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