A ‘Star’ do Arquiteto Starck

A ‘Star’ do Arquiteto Starck

Redação

24 de dezembro de 2008 | 18h58

Foto: divulgação


O arquiteto Philippe Starck prefere trabalhar a distância. Autor do projeto arquitetônico do Hotel Fasano, no Rio, visitou a obra somente uma vez, quando ainda estava em construção. E foi só no último fim de semana voltou à cidade para ver o resultado final. Stark falou por telefone com a coluna.

O que lhe dá mais prazer: produzir peças em série ou desenhar um obra única? O que me dá prazer é imprimir no que faço uma visão do que existe de romantismo, poesia e história da humanidade. É qualquer coisa que me possibilite sonhar e dar vida aos meus sonhos. E pensar que há bilhões de anos éramos bactérias e, hoje, somos uma espécie de “supermonkey”. Nos próximos bilhões de anos o mundo vai explodir e será o fim da história…

O senhor tem obras espalhadas por todo mundo. Onde se sente mais bem compreendido? Em um lugar como esse. Quando trabalho com alguém genial, caso do Rogério Fasano, tenho garantia de qualidade. E quando existe garantia de qualidade, existe também de sucesso.

A crise vai afetar a criação? Quando os problemas e desafios são grandes, nós nos forçamos a tirar mais da nossa criatividade. Uma crise desse porte nos permite a reinvenção, chegando a mudar as leis da economia e a visão sobre o capitalismo. A crise permite às pessoas repensar suas visões políticas. Eu amo crises.

Como iremos viver no futuro? Sabemos somente como não vamos viver. E que o comunismo foi o protótipo de um modelo não alcançado. Mas o capitalismo também está falhando. Temos que inventar um novo modelo.

O senhor continua estudando astronomia? Sim. Por meio dela, podemos entender, de maneira profunda, as estruturas como um todo. Se você for à sacada do Fasano e observar a vista, naturalmente tentará entender as ondas, as nuvens baixas e as ilhas. Enfim, tento entender as grandes regras que estruturam a vida na terra. Astronomia, matemática e biologia são só uma parte de tudo.

Há quatro anos, quando esteve por aqui, disse que gostaria de levar uma vida normal. Conseguiu? Não. Ainda não fui bem sucedido nesse objetivo (risos).

O que lhe encanta no Brasil? A energia. Definitivamente não é arquitetura nem algo material. É o fim dessa energia que cria uma crise como essa que vivemos.

Oscar Niemeyer ou Irmãos Campana? Ambos. Eu gosto de tudo que provém da beleza.

O senhor está fazendo um reality show na BBC? Jamais faria um reality show. Estou gravando programas voltados para jovens onde mostro que não é tão complicado como parece fazer criações. E, olha, já tenho obtido resultados incríveis. Estréia no ano que vem.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: