A noite do debate que não houve

Redação

26 de novembro de 2009 | 07h57

Nascido na ditadura, forjado em lutas pela liberdade, o Cebrap festejou seus 40 anos, anteontem, com um não-debate sobre o País. Muita gente foi ao Sesc Vila Mariana – onde foi lançado o livro-e-DVD Retrato de Grupo – imaginando que veria um bom fogo amigo entre os dois velhos companheiros do centro, FHC e Chico de Oliveira.

Sem chance. Os mais de 500 presentes tiveram de contentar-se com depoimentos isolados, que ignoraram o presente e do futuro do Brasil. Os tucanos brindaram o auditório com o estilo zas-trás. FHC chegou pelos lados, em cima da hora, deu seu depoimento e sumiu. E Serra já foi avisando que não poderia ficar.

Por sorte, os dois não-debatedores estavam em forma. Foram fundo em episódios como a “visita” obrigatória que fizeram – encapuzados – à Oban, o centro de tortura da ditadura. “Dentro do capuz, pensei: que idiota sou. Podia estar dando aulas lá fora”, recordou FHC. Chico deixou o rigor analítico em casa e fez todo mundo rir com tiradas do tipo “mais conservador do que Tancredo nem a Nossa Senhora de Guadalupe”.

Curiosidades da noite: a questão da luta armada os aproximou e o pacificador Ulysses Guimarães os desuniu. “Eu era mais covarde”, arriscou Chico sobre confrontar o regime. “Não, você tinha mais antevisão”, ponderou o ex-presidente. E Ulysses, destratado por Chico – “todos dormiam quando ele discursava” – foi resgatado por FHC: “Ele era homem de coragem. Chamou os militares de patetas. Hoje se pode chamar qualquer um de pateta e tudo bem.”

(Gabriel Manzano Filho)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: