A noite de Kadafi no museu

A noite de Kadafi no museu

Sonia Racy

10 de março de 2010 | 08h48

 SAIF EL ISLAM EL GADDAFI1CLick

Impossível chegar perto de Saif El Islam El Kadafi na abertura de sua exposição. Cercado de seguranças, o artista se limitou a liderar um tour e a fazer breves comentários, segunda à noite, no Museu Afro Brasil.

“Este pedaço colado aqui na tela é da minha casa, que foi bombardeada”, explica o filho do ditador líbio Muammar Kadafi a Miguel Jorge e Juca Ferreira. Uma hora depois, faz o mesmo com um atrasado Gilberto Kassab.

Saif, muçulmano, recusa presunto cru oferecido pelo garçom. E, camuflando seu copo de uísque com um guardanapo de papel, deixa uma mensagem para o Dia Internacional da Mulher, a pedido da coluna. “Nós, na Líbia, nos orgulhamos muito das nossas mulheres ativas. Há países árabes em que as mulheres são impedidas de dirigir. Nos temos até pilotos”, diz o irmão mais manso de Hannibal, acusado de agredir duas funcionárias na Suíça e condenado por bater em uma grávida na França.

Naji Nahas quis homenagear o amigo, que conhece “desde os tempos em que ele estudou na Inglaterra”. Mas o cruzamente de agendas não deu certo. E a festa de domingo acabou acontecendo na casa de Ana Paula Junqueira, aspirante ao PV.

Fim de festa e três seguranças da PF escoltam a saída fazendo o trabalho dos guarda-costas armados de Saif. Que tentavam um processo de sedução passando pela idade da pedra: puxavam mulheres pelo braço, beijavam-lhes as mãos e, em um inglês macarrônico, as convidavam para conhecer o… hotel. 

Por Débora Bergamasco