A NOITE DE CAZUZA

Sonia Racy

12 de setembro de 2015 | 00h53

Foi em torno dos 25 anos da Sociedade Viva Cazuza, criada por Lucinha Araújo para crianças e adolescentes com aids, que Paula Lavigne se associou à Arara – de Malu Barreto e Pedro Igor– e organizou, anteontem, no Rio, leilão beneficente destinado a captar recursos para a instituição. Cerca de 350 pessoas jantaram no local e depois outras mais, também pagantes, apareceram para a festa.

A própria Paula comandou o leilão, ofertando 19 obras diversas e itens como um manuscrito de Chico Buarque e um ukelelê de Marisa Monte. Destaque da noite? A venda da peça de Adriana Varejão, que começou valendo R$ 200 mil e, ao final de uma disputa ferrenha, foi arrematada por R$ 530 mil.

A produtora de filmes como Dois Filhos de Francisco provocou risadas. “Tá o preço de um ovo, gente”, disparou a certo momento. Ao oferecer um violão autografado de Gilberto Gil, cantou trecho de Andar com Fé e brincou: “Sou novata nesse negócio e não sou a Sharon Stone, mas tô tentando”.

Crise econômica à parte, não faltaram lances. Resultado: R$ 1,5 milhão de faturamento,

Paula não acredita, porém, nos rumores sobre integração dos ministérios da Cultura e da Educação, como parte dos ajustes a serem feitos por Dilma. “Ela não vai fazer isso com a gente”, ponderou a ex-mulher de Caetano Velloso. Ao ouvir o comentário, José Maurício Machline, idealizador do Prêmio da Música Brasileira, também externou sua preocupação. “Entendo o corte, mas a cultura precisa de atenção dedicada”.

Já o artista Luiz Zerbini perguntou: “Por que não?” – e Rogério Flausino emendou: “Educação e cultura têm tudo a ver, não é?”

O show após o jantar concentrou nomes como Alcione, Adriana Calcanhotto, Baby do Brasil, Djavan e até Chay Suede. Ponto alto: a troca de olhares entre Ney Matogrosso e Lucinha Araújo, sentada à beira do palco, ambos a demonstrar uma saudade em comum: Cazuza. A mãe do artista dava gritinhos para Ney, que encerrou sua participação gritando Cazuza Meu Amor.

Quando o tributo virou roda de samba, Lucinha se aquietou numa poltrona, onde foi tietada por velhos fãs do filho. O que acharia Cazuza da atual situação no País? “Ele estaria inconformado. Pois cantava Brasil, Mostra Tua Cara. Coisa que até hoje o Brasil não mostrou.” Passava das duas da manhã quando o DJ soltou a marchinha A Jardineira. E aí o MAM virou um carnaval. / PEDRO FRANÇA, ESPECIAL PARA O ESTADO