A internet e a diplomacia

Sonia Racy

29 Abril 2011 | 23h00

Qual a relação entre pessoas pobres e a liberdade na internet? “Ela é ferramenta educativa e econômica, pois alcança a todos”. Com esta frase, Alec Ross (para quem Hillary Clinton criou cargo especial em sua gestão na secretaria de Estado do governo Obama), explica sua real missão pelo mundo.

O assessor de Hillary aterrissou essa semana. Em conversa com a coluna, quinta, no consulado americano em Sampa, revelou ter vindo preparar visita de Obama no segundo semestre. E entre os encontros que teve em Brasília, acertou com Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, trocas na área tecnológica.

Ross, de 39 anos, é o criador da One Economy. Trata-se de uma ONG que em oito anos se tornou a maior do mundo na área digital, dando conta de informações sobre educação, empregos, saúde e tudo mais do que precisa a população, especialmente a de baixa renda.

Foi na ONG que Obama pescou o outrora professor de um bairro pobre em Baltimore, devastado pelo crack. E o escolheu para tocar o sistema de internet na sua campanha presidencial. Ele foi tão bem, que em 2009 ganhou a missão de usar a tecnologia na diplomacia externa dos EUA.

E como está fazendo isto? Seu mote é a transparência. Como exemplo, cita o Programa de Liberdade de Expressão na rede, criado por ele e já usado e experimentado na crise do Oriente Médio. Ante o bloqueio do uso de mídias sociais, como aconteceu na Tunísia, os EUA entraram oferecendo tecnologia alternativa, permitindo que a população voltasse a acessá-las. “Foi possível pois desenvolvemos programas tecnológicos para o desbloqueio indireto”, explica Ross. No caso dos tunisianos, esta ação liderou o destino político do país.

Isto não significa uma interferência direta em Estados soberanos? “Não, olhamos os direitos universais da população mundial”. E o WikiLeaks, também eles podem ter esta liberdade? “Os EUA não interferiram e não o farão. O sistema está sendo julgado pela Justiça”.

Qual será o destino do mundo frente a aceleração das comunicações digitais? “Não podemos prever. Só tenho certeza de que o processo, incluindo transparência, é irreversível”. Tanto assim, alerta Ross, que se alguém mente no Twitter hoje, ele é desmentido rapidamente.

No ver do americano, não há como fugir da forte evolução das mídias sociais e suas consequências. “É como negar a gravidade. Podemos pode até tentar mas ela estará lá, obrigando você a colar o pé no chão.”