A festa da Marta

A festa da Marta

Sonia Racy

19 de março de 2016 | 18h12

Denise Andrade

Denise Andrade

Era dia de manifestação contra o impeachment, mas também de comemoração dos 71 anos de Marta. “Achei corajoso da parte dela, com o País nesta situação, comemorar o aniversário. É muito peculiar estar aqui, no bar Brahma, no centro de São Paulo”, comentou Adriane Galisteu logo após parabenizar a peemedebista e pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, na sexta-feira à noite.

Falar de política era algo delicado para a apresentadora — ela nem quis dizer em quem vai votar em outubro. “Vim porque sou amiga dela”, resumiu. E justificou: “Nosso país vive um momento tão delicado que as pessoas julgam os outros por qualquer palavra ou movimento. Até mesmo pela cor de roupa que você usa”. Sem dar detalhes, ela comentou que postou a bandeira do Brasil no Instagram e deu “o maior rebuliço”.

Marta, igualmente, evitou falar do tema. Dentro de um dos salões da festa, no entanto, murmurava-se sobre a possível vontade da peemedebista em ter Andrea Matarazzo como vice em sua chapa. Ao que consta, o ex-tucano costura caminhos para ser ele próprio candidato na disputa — três partidos, um deles o PSD de Gilberto Kassab, já o teriam sondado.

A senadora não se sentou um minuto sequer — e resistiu bem, por mais de três horas, em um espaço abarrotado de gente onde cabem até mil pessoas. Sua rotina era: andar um pouquinho, receber os cumprimentos, posar para foto. “Tira de novo porque eu saí olhando para baixo”, pedia às vezes, ao longo da maratona de cliques. Às vezes, um pedido diferente. Como o do responsável por um jornal dos taxistas, que queria um autógrafo numa página que estampava a imagem dela.

O presidente do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, Silvio Hiroshi Oyama, foi até lá como amigo de Márcio Toledo, marido da senadora. “Fomos contemporâneos de faculdade, na PUC”, comentou. Já o funcionário público Vitor Alessandro — que diz não ser filiado, mas sempre teve a família toda peemedebista –, contava aos amigos que na campanha anterior trabalhou pelo candidato Gabriel Chalita, mas desta vez acompanhará Marta. Motivo? “Você tem que procurar um galho e tem que agarrar nele. Qual galho o Chalita escolheu?”, respondeu, com outra pergunta.

Pouco antes das velinhas, o vereador Ricardo Nunes atualizou a aniversariante sobre o noticiário do dia, que mudava de hora em hora. A manchete, pouco antes das 10 da noite, era que Gilmar Mendes havia derrubado a posse de Lula na Casa Civil e devolvido a investigação ao ex-presidente ao juiz Sérgio Moro.

Bolo pronto para cortar, Marta se concentrou nos agradecimentos a todos, no amor ao marido e no carinho dos filhos André, João e Supla, que lá estavam, juntos, para cantar para a mãe.

Após o parabéns, um súbito som de fogos, vindo da esquina das avenidas Ipiranga e São João, assustou os convidados – não faltou quem os relacionasse às manifestações. Ou seria Lula preso? Quem sabe, até, alguém querendo boicotar o evento da peemedebista?

Não. Eram fogos da festa da Marta. /MARINA GAMA CUBAS

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