À espera de Cher

À espera de Cher

Sonia Racy

04 de abril de 2015 | 01h10

Foto: Divulgação

Cher desembarca no Brasil semana que vem. A cantora e vencedora do Oscar vai receber o prêmio Inspiration – por seus trabalhos em prol dos direitos da comunidade LGBT – no tradicional Gala da amfAR, junto com Felipe Diniz e Jean Paul Gaultier. Como de costume, a Fundação para a Pesquisa da Aids homenageia personalidades inspiradoras. A entrega acontecerá na sexta que vem, durante o suntuoso evento na casa de Dinho Diniz.

A noite contará, ainda, com shows de Kylie Minogue e Alcione. Em conversa por telefone com a coluna, a musa americana lamentou não fazer shows, mas prometeu voltar em 2016 e lembrou de seu fascínio pelo Brasil quando assistiu a Orfeu Negro, filme de 1959 dirigido por Marcel Camus. Abaixo, trechos do bate-papo.

Como conheceu o trabalho da amfAR e começou a se envolver com a causa?
Antes mesmo de sabermos o que era de fato a Aids, passei por uma experiência marcante durante uma turnê. Quase todos começaram a ficar doentes e morreram. Então, como fui afetada pessoalmente, me informei sobre a doença. Fiquei muito comovida com o trabalho da amfAR. É algo muito importante. Hoje, nos EUA, por exemplo, existe uma epidemia de Aids em Indiana. Por isso, o trabalho dessa organização é essencial.

Acredita que as pessoas estão menos preocupadas com a contaminação, hoje, do que nos anos 80 e 90?
As pessoas precisam entender que só porque hoje existem medicamentos não diminui a gravidade da doença. É necessário informar, tomar precauções. Os jovens, por exemplo, não estão preocupados como deveriam.

Como se sente ao receber essa nova homenagem?
É um pouco estranho estar sendo homenageada. Nunca aceitei homenagem de nenhum grupo, então, acho que é uma ocasião boa para começar.

A senhora defendeu, de forma enfática e pública, o empoderamento feminino. Como vê o feminismo que está em voga hoje nos discursos de artistas, como, por exemplo, Patricia Arquette?
Não assisti ao Oscar, mas ouvi a repercussão. Sabe o que eu acho? Que a gente falar sobre direitos iguais entre homens e mulheres em pleno 2015 é absolutamente ridículo. É insano não sermos consideradas iguais. É insano ver que não temos paridade salarial, não temos votos, que temos de lutar por tudo. Todos os seres humanos deveriam ser iguais. Ponto. Fim de história.

Como enxerga o mundo das celebridades nos dias de hoje? Acredita que as redes sociais ajudam muito na carreira?
Tudo é progresso. Quando comecei, não havia nada disso. Não havia esse conglomerado de gente em volta do artista. Você não chegava com estilista, coreógrafos, fotógrafos, esse time gigante de profissionais que existem hoje. Mas acho que as coisas mudam, as pessoas mudam e você tem de saber aproveitar aquilo que lhe serve e lhe dá vantagem. É preciso se adaptar.

Aos 68 anos, você é considerada ícone fashion, mas nunca se vestiu de maneira convencional. O que é moda para você?
Você tem de vestir o que a faz se sentir bonita. Nunca me disseram o que vestir ou como me comportar. Acredito que os dias dessa ditadura do que é correto ou não para se vestir acabaram. Hoje há uma grande liberdade. Existem maravilhosos estilistas, mas as mulheres não são mais reféns de tendências… Isso acabou. Moda é o que faz você se sentir bem.

O que você conhece sobre o Brasil?
Não muito. Mas, quando eu era criança, minha mãe me levou para assistir a um filme chamado Orfeu Negro. E nunca mais esqueci, ainda sei a música até hoje. Fiquei muito fascinada. /MARILIA NEUSTEIN

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