A casa premiada

A casa premiada

Sonia Racy

11 Maio 2017 | 00h30

O arquiteto Gui Mattos recebe hoje, em NY, o disputado prêmio Architizer A + Awards 2017. Com a casa que projetou em Itamambuca (em Ubatuba), ele conseguiu obter uma premiação dupla, do júri popular e do júri técnico. Mattos conversou com a coluna sobre esse momento de sua carreira.
Como é receber esse prêmio?
Quando recebemos a notícia de que éramos um dos cinco finalistas já foi muito especial.
E quando saiu o resultado, com o prêmio nas duas categorias foi indescritível! Sempre achei que a “casa em Itamambuca” tinha algo especial. Ela remete ao trabalho iniciado há trinta anos, no mesmo litoral norte com as mesmas pequenas casas de praia.
Acha que a arquitetura nacional é vista com bons olhos no cenário internacional?
Os reconhecidos internacionalmente são sempre aqueles que souberam trilhar um caminho próprio e coeso. Vilanova Artigas, Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi e Paulo Mendes da Rocha são para mim os melhores exemplos. Felizmente, há uma nova leva de ótimos arquitetos pontuando projetos fora do Brasil.
Como avalia o atual momento da arquitetura brasileira?
A arquitetura é uma “galeria aberta” para a cidade. O que se constrói são os exemplos que servirão de referência para formar a cultura arquitetônica da população, de maneira geral. De alguma maneira fomos “achatados” por uma massificação de projetos com características muito aquém das nossas. Foram importadas soluções estéticas que literalmente preencheram nossos espaços urbanos, com uma arquitetura de má qualidade.
Caminhamos muito lentamente para a retomada da valorização da nossa linguagem. Uma arquitetura apropriada para o nosso clima, com raízes da nossa cultura e costumes. / MARILIA NEUSTEIN