A bênção de Márcia Haydée

Sonia Racy

12 de setembro de 2011 | 23h01

“Fazia muito tempo que a dança não me provocava tantas emoções”, disse Márcia Haydée, sexta à noite, no camarim do Teatro Alfa, diante de uma Deborah Colker em lágrimas. Era a estreia da coreografia Tatyana, trabalho inspirado na obra Eugene Onegin, de Puchkin.

Estrela internacional da dança nos anos 1960 e 70 (foi a primeira solista do Balé de Stuttgart), Márcia veio especialmente do Chile, onde vive há sete anos, para assistir ao espetáculo. “Fiz justamente o papel de Tatyana na montagem coreografada por John Cranko para a companhia de Stuttgart, nos anos 1960, e me senti emocionada com a bela leitura feita pela Deborah.”

Com um sorriso permanente, a coreógrafa sentia-se aliviada. “Se a Márcia não gostasse, eu cancelava a temporada agora”, brincou ela, que, pela primeira vez, montou um espetáculo com narrativa. Em cena, Deborah vive o papel do escritor, o russo Puchkin, que acompanha as desventuras amorosas de Tatyana e Eugene.

Muito assediada por bailarinos que a reconheciam na plateia, Márcia Haydée confessou-se impressionada com a agilidade dos profissionais da atualidade. “A desenvoltura física, o trabalho com braços e pernas, tudo parece ser cada vez mais ousado e sem limites.”

Em Santiago, ela dirige o Balé Nacional do Chile, cuja experiência internacional ainda é pequena. “Não temos patrocínio para viajar ao exterior; assim, a troca acontece quando recebemos companhias estrangeiras”, conta. Foi desta forma que conheceu o trabalho de Deborah Colker, durante uma excursão de Cruel. “Sua passagem por Santiago foi muito útil para o nosso grupo.”

Sem perspectivas de voltar a morar no Brasil, a carioca voltou sábado para o Chile. Antes, porém, participou de uma grande festa de confraternização da Companhia Deborah Colker, que festejou até as 4h da madrugada.

UBIRATAN BRASIL

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