‘A aura de mito do ministro se desfez’, diz Reale Jr. sobre Moro

Sonia Racy

11 de junho de 2019 | 01h00

MIGUEL REALE JUNIOR. FOTO: IARA MORSELLI/ESTADÃO

MIGUEL REALE JUNIOR. FOTO: IARA MORSELLI/ESTADÃO

Moro na mira

O jurista Miguel Reale Jr. acha “difícil prever” no que dará a denúncia sobre as conversas entre Moro e Dallagnol, “visto que não se tem ainda todas as gravações”. Mas pondera: “O que é certo é que a aura de mito do ministro se desfez”.

O ex-ministro da Justiça ressalta: “Imagine se o MP descobre mensagens desse tipo entre um juiz… e um advogado de defesa. Seria muito grave”. A lei, adverte, “é igual para os dois lados. Considera suspeito juiz que aconselha a parte”.

Moro na mira 2

O jurista acrescenta: as provas foram obtidas de maneira ilícita. “Assim, se imprestáveis para anular um processo, não o são para cobrir de desconfiança o trabalho do juiz conselheiro do MP”.

Moro na mira 3

Roberto Livianu, do Instituto Não Aceito Corrupção, entende que “o trabalho da Lava Jato nos últimos cinco anos tem de ser louvado” e diz que não vê “esse conluio devastador que está se querendo criar, pois não temos segurança da inteireza dos diálogos”.

Sua expectativa? “Que o CNJ e o CNMP cumpram seus deveres, investiguem e avaliem corretamente tudo”.

Estratégia

A revelação das mensagens entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol está dividindo os advogados da Lava Jato. Alguns apostam na suspeição geral do ex-juiz e outros acham melhor estratégia buscar nulidades pontuais das transcrições publicadas.

Consultados pela coluna, alguns já adiantam que as mensagens vão ser usadas na defesa de clientes. Mas antes é preciso fazer uma ata notarial da prova – com as matérias publicadas na imprensa – e ver se o juiz a aceita.

Vulnerável

Especialistas em segurança digital criticam a segurança do Telegram – app no qual Moro e Dallagnol trocavam mensagens. Lembram que o sistema tem pelo menos um caso de vulnerabilidade num ataque em 2016, na Rússia.

Muda, não muda

O Conselho Nacional do Ministério Público tem reunião marcada para hoje cedo e, até ontem à tarde, sua pauta não tinha sido mudada. Mas o corregedor Orlando Rochadel já havia recebido pedido de investigação de conduta de Dallagnol, assinada por Luiz Fernando Bandeira de Mello.

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