A arte dos bons negócios

Sonia Racy

09 de março de 2012 | 01h01

A Tefaf, uma das maiores feiras de arte e antiguidades do mundo, completa 25 anos. Em conversa por telefone com a coluna, de Londres, Ben Janssens adiantou alguns flashes do evento que acontece, a partir do dia 15, em Maastricht, na Holanda.

Haverá surpresas este ano?

Planejamos uma espécie de retrospectiva, uma exposição com 25 amostras do que trouxemos a Maastricht nesses anos todos. Também lançaremos um livro especial para a data. A grande novidade, entretanto, é a criação de um fundo para restauração de obras. Os grandes museus poderão pleitear restauro de algum trabalho ou pintura – e os custos serão arcados pela própria Tefaf.

Já há inscritos?

Sim, temos vinte inscrições. E selecionamos duas, que virão a público logo, logo.

No começo de 2011, o senhor afirmou que a crise não atingiria o mercado de arte. Isso realmente aconteceu?

Tivemos alguns reveses no ano passado, mas me sinto muito otimista sobre a feira. Principalmente no que se refere ao mercado de arte moderna. Tem muita gente aproveitando a oportunidade para investir em arte. Compram não apenas porque gostam, mas porque enxergam ali um nicho importante de valorização do ativo. Trata-se de uma alternativa ao ouro e ao mercado financeiro, que andam extremamente instáveis.

A China tem sido a grande alavancadora de preços?

Sim, os chineses tem sido compradores muito vorazes. Eles gostam de colecionar arte. Nesses últimos anos, temos feito muitas coisas com os asiáticos e fiquei impressionado com o interesse deles pela feira. Por outro lado, existe grande desenvolvimento e valorização da arte chinesa – especialmente no que diz respeito a antiguidades.

O senhor pensa em replicar a feira em outros lugares? Na China, talvez?

A cidade de Maastricht é tão única. Preferimos nos concentrar lá. Talvez, no futuro, pensemos em outro lugar. Nosso foco, por enquanto, é fazer as pessoas virem a Maastricht viver essa experiência.

Qual o segredo para manter-se no topo da pirâmide de arte durante 25 anos?

Muito trabalho (risos). A verdade é que manter o nível da feira depende também da qualidade dos visitantes e expositores. E mais: ela só existe se houver negócios. Esperamos muitos brasileiros por lá.

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