A arte de juntar quem planta e quem consome

A arte de juntar quem planta e quem consome

Sonia Racy

27 Abril 2017 | 01h30

Foto: Denise Andrade27

Uma parceria entre a Sociedade Rural Brasileira e o produtor Patrick Assumpção, ao lado da agrônoma Keila Malvezzi, se desenhou ao longo de mais de dois anos para chegar ao formato da Feira Viva – evento que acontece no próximo dia 6 no Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo, e que reunirá chefs e produtores para aproximar o consumidor da origem dos alimentos que consome. Entre outras, lá estarão nomes como Alex Atala e Heleza Rizzo, com chefs e produtores, em salas privadas de degustação nas quais o público poderá provar as receitas dos chefs.
Muito além desse evento (ver mais a respeito no site www.feiraviva.com.br), a parceria resultou numa união que muita gente, na área da agricultura, ainda vê com preconceito: os “grandes vilões dos alimentos plantados em larga escala com agrotóxicos” com os “hippies bonzinhos da adubação verde que produzem em escala infinitamente menor”.
Patrick adverte, a respeito: “O negócio não é segregar. A soja e o milho vão continuar existindo, mas a responsabilidade do produtor rural só aumenta. Acho ótimo a gente ter como influenciar a mudança dessas práticas”. Ele pratica o sistema agroflorestal em sua Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba (SP). Nesse sistema, os orgânicos são plantados uns ao lado dos outros na floresta, unindo conservação ambiental, recuperação de solos degradados e geração de renda com os alimentos plantados. “Passar herbicida nem é economicamente bom para o produtor. Se ele conhecer técnicas de conservação de solo e adubação verde, melhor, para diminuir custos. Mas ainda melhor para o ambiente”, completa Patrick, que diz ter sido procurado em 2013 por Gustavo Junqueira, pouco antes de este se tornar presidente da SRB.

Foi na gestão de Gustavo que a busca de modelos que buscam combinar agricultura e ambiente tomou corpo na SRB, influenciada pela aprovação do novo Código Florestal, em 2012. Com a lei, biomas como a mata atlântica devem ter obrigatoriamente 20% de sua área protegida, tamanho grande o suficiente para, muitas vezes, comprometer o lucro do produtor. “Temos visto diversas técnicas para ajudar o produtor a se adequar à lei, reduzir seus custos e melhorar a atividade com valor agregado. É uma discussão muito pragmática, mas que gera lucro para o ambiente”, diz o diretor executivo da SRB, João Francisco Adrien, da região de Botucatu (SP) – que, nos últimos anos, passou a gerenciar a fazenda da família. “O Brasil é uma potência ambiental e agrícola. Com o novo código e novos modelos, entre eles a agrofloresta, estamos propondo ao mundo uma economia competitiva de baixo carbono.” O assunto, dizem os organizadores, será reforçado na Feira Viva por meio de bate-papo com os cerca de 25 produtores que montarão bancas com seus produtos, de visitação gratuita. / ANA PAULA BONI