Shoppings investem em tecnologia na reabertura em São Paulo

Shoppings investem em tecnologia na reabertura em São Paulo

Sonia Racy

11 de junho de 2020 | 00h55

Carlos Jereissati Filho – Foto: Iara Morselli/Estadão

Câmeras termográficas, com inteligência artificial para aferição de temperatura, botões de elevador ‘no touch’ já estão instaladas no Iguatemi, comandado por Carlos Jereissati Filho. Já no Shopping Cidade Jardim, onde já foram realizados testes em 100% dos funcionários, será mantido o céu aberto, aproveitando o ar livre para privilegiar a circulação natural do ar. Jereissati Filho, CEO do Grupo Iguatemi, contou à coluna que investiu R$ 600 mil em tecnologia para a reabertura dos quatro shoppings de SP – Iguatemi, JK, Pátio Higienópolis e Market Place. Já José Auriemo Neto, do Grupo JHSF, aproveitou a quarentena para fazer reforma geral no empreendimento – investimento de R$ 4 milhões.

Com a experiência de quem já reabriu, na flexibilização do isolamento, onze shoppings em SP, RS, SC e BSB, Jereissati Filho atesta que “o fluxo é menor, mas a conversão é maior”. Ou seja, quem vai, compra. “As pessoas estão sendo respeitosas com o horário e adaptadas às exigências dos protocolos. Isso é importante para termos nosso ‘normal’ de volta”.

José Auriemo Neto – Foto: Denise Andrade/Estadão

Auriemo Neto está com boa expectativa. O empresário retorna sábado de Punta del Este, onde passou o último mês, para acompanhar de perto a reabertura do Cidade Jardim. O grupo JHSF já retomou as atividades no Shopping Ponta Negra (Manaus) e no Catarina Fashion Outlet (São Roque). Auriemo contou à coluna sobre a reabertura do hotel Fasano Boa Vista. “Voltamos a funcionar há duas semanas e temos tido ocupação total”, comemora. Explica que observaram protocolos internacionais para dar o máximo de segurança a a hóspedes e clientes dos shoppings,

Ambos os empresários consideram “compreensível” certo receio dos clientes nesse retorno, mas acreditam que está na natureza das pessoas o desejo de se encontrar e… comprar. “O cérebro humano tem dois picos de satisfação: o primeiro é comprar e o segundo, doar”, afirma o CEO do Iguatemi, citando Tal Ben-Shahar.

Os dois grupos também atuaram forte para dar suporte aos lojistas. “Na pandemia, suspendemos os aluguéis para poder continuar viabilizando o negócio. E nessa volta vamos analisar caso a caso no suporte comercial, principalmente com relação ao valor mínimo do aluguel”, adianta Auriemo.

Já a rede Iguatemi suspendeu 50% do aluguel do mês de março, isentou 100% em abril e neste mês de maio também. Concedeu descontos no pagamento de fundo de promoção que variam de 60 a 100%, a depender da praça, e antecipou a redução de 10% do condomínio.

E os prejuízos? Os empresários preferem não fazer as contas, nesse momento que pede, entendem eles, “união”. “Teve lojista pagando 20% do seu custo total. A indústria como um todo – não só shoppings – foi a mais generosa no mundo que eu tenha conhecimento, na pandemia”, atesta Jereissati.

E todas lojas toparam reabrir? Sim, respondem. Terão que ser observadas as novas normas: medição de temperatura, contagem de pessoas, máscaras obrigatórias, viseiras para os funcionários… Restaurantes, salão de beleza e academias de ginástica ficarão para uma próxima fase de abertura. E as praças de alimentação só funcionarão com take away como tem sido desde o inicio da quarentena.

A principal regra? Shoppings só poderão retomar com 20% de sua capacidade. Jereissati faz questão de passar nos seus quatro shoppings para conferir a operação e…“aproveitar para fazer minhas compras do Dia dos Namorados”, brinca.

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