“Me sinto como se estivesse recomeçando’, diz Carolina Ferraz

“Me sinto como se estivesse recomeçando’, diz Carolina Ferraz

Sonia Racy

19 de outubro de 2019 | 00h20

 

 

Carolina Ferraz se prepara para lançar, a convite do Youtube, o seu próprio canal, terça-feira, no Google Brasil, na Faria Lima. E se diz “pronta e feliz” e “como se estivesse recomeçando aos 51 anos para essa nova aventura num Brasil que supervaloriza a juventude”. Afastada da TV Globo desde 2016, após 27 anos de casa e três de GNT, ela lembra que “envelhecer num País como este não é tarefa fácil”, mas pontua que “conteúdo bem feito terá espaço sempre”. Disposição não lhe falta. Já em novembro a atriz e jornalista viaja para o Uruguai, onde gravará programa sobre maconha para uso recreativo. Esse foi o primeiro país no mundo a vender legalmente a droga, em farmácias, para esse fim. Veja a entrevista.

O que o público pode esperar do Canal Carolina Ferraz?
Vamos postar nas segundas-feiras um programa de culinária. A primeira temporada é no campo, a segunda é na cozinha e a terceira, na praia. Vou misturar tudo para que o público sempre tenha uma novidade. Vou gravar no Uruguai sobre a cannabis. Quero explorar meu lado jornalístico.

Então já vai começar com um tema polêmico…
Quero fazer um apanhado geral. Ouvir juristas, advogados, falar com cultivadores da maconha para uso recreativo e medicinal. Quero saber do impacto que teve a liberação no Uruguai. (No Brasil, o tema está em discussão no Congresso).

Vai ter convidados famosos na programação?
Vou ter um quadro no estilo do James Corden (astro britânico que apresenta o The Late Late Show), com karaokê. Já rodei com a Preta Gil. A Letícia Letrux e a Cleo estão confirmadas. Também comprei os direitos autorais de quatro músicas dos anos 80, entre elas Mania de Você, da Rita Lee. Tem o quadro Cozinha Possível, em que vou à casa de um convidado e preparo uma refeição com o que tiver na geladeira.

Como você enxerga esse momento em que todos têm que estar nas redes sociais?
Meu grande sonho é ter um programa de rádio. Se alguém quiser, vai ser sucesso! A realidade mudou. As coisas hoje podem se realizar de outro modo, em outras plataformas.

Está mais difícil hoje para a área cultural no Brasil?

Não só nas artes. O Brasil está muito difícil. Hoje em dia ou você está se matando de trabalhar ou está perdendo o emprego. Mas eu acredito no País. Precisamos amadurecer como sociedade e ter consciência de nossas decisões.
No Brasil, há um culto à juventude e muita coisa é voltada para esse público, sobretudo no mundo digital.

Isso está mudando?

Acho que conteúdo, quando bem feito, tem espaço sempre. Independentemente da realidade da era digital, uma coisa permanece: o Brasil supervaloriza a juventude sob todos os aspectos. Envelhecer em nosso País não é tarefa fácil. Eu não escondo a idade que tenho. A tendência em todas as grifes internacionais é ter uma Julia Roberts na Lancôme, Julianne Moore na Bulgari, Nicole Kidman na Jimmy Choo. São mulheres lindas, que representam um enorme mercado de consumo. E todos criam produtos para esse mercado. O Brasil não acordou para isso. Eu me sinto no auge, bonita e com vontade de realizar muitas coisas. Estou feliz. Vou ter que experimentar as coisas com o avião voando. Claro que vou errar.

A classe artística está cada vez mais se expondo, se posicionando na política. Como você avalia isso?

Num momento de mídia social tem um lado bom e um ruim. As mídias convocam para que você se posicione. E as pessoas têm direito total de não se posicionarem. Acho que nem tudo precisa ser compartilhado. É uma questão de foro íntimo. / CECÍLIA RAMOS

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