Esquerda ‘tem de se reavaliar’, avisa Gabeira

Esquerda ‘tem de se reavaliar’, avisa Gabeira

Sonia Racy

26 Outubro 2018 | 00h52

FERNANDO GABEIRA. FOTO: JOSÉ PATRÍCIO/ESTADÃO

FERNANDO GABEIRA. FOTO: JOSÉ PATRÍCIO/ESTADÃO

Em entrevista ao podcast Rio Bravo, a ser publicada hoje, Fernando Gabeira dá aula de bom senso sobre a necessidade de o Brasil se acostumar a brigas e aprender a separar as brigas das pessoas. “Isso vai ser um avanço político muito grande, que só se alcança com o tempo”, resume. E manda um recado à esquerda para que “faça uma avaliação” e procure falar com “esse eleitorado” – o de Bolsonaro.

Militante contra o regime militar nos anos 60 e um dos sequestradores do embaixador americano Charles Elbrick no Rio – que resultou na libertação de 15 presos políticos, entre eles José Dirceu –, Gabeira recorda, na conversa, seus 16 anos de convivência política com o Bolsonaro. “Estou acostumado a discutir com ele em muitas circunstâncias”, diz o ex-deputado, enfatizando que tem uma tática para lidar com o presidenciável. “A de tentar entendê-lo, não só por ele ou pela amizade que possa existir entre nós, mas pelo fato de ele representar uma parte considerável da população.”

Gabeira lembra que, mesmo antes de ser um candidato bem-sucedido, Bolsonaro já dizia “coisas que quem anda pelas ruas do Brasil sabe que outras pessoas pensam também”. Daí ele considerar necessário ter, com o candidato, o que chama de uma visão construtiva. “Se você parte pra ideia de que é ele um fascista, nazista, você perde o contato com a possibilidade não só de falar com ele mas com os eleitores dele também. E os eleitores dele não são as pessoas descritas nessas visões alarmistas, entende?”

Nessas andanças pelo Brasil, Gabeira diz ter percebido que Bolsonaro falava muito contra a corrupção e que isso o fortalecia. Notou como crescia o prestígio dele, “algo que as redes sociais também confirmavam”.

Gabeira sugere, ainda, “que a esquerda faça uma avaliação de sua atuação e do próprio comportamento do eleitorado”, procurando uma maneira de falar com essas pessoas, modificando “algumas propostas que surgiram no auge da polarização”.