Por uma vida mais colaborativa

Por uma vida mais colaborativa

Sonia Racy

02 Dezembro 2016 | 17h36

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André Carvalhal conseguiu o objetivo de muitos: trocar o estilo de vida por algo mais sustentável e com qualidade. Carvalhal foi gerente de marketing da marca carioca Farm e hoje aposta em um coworking – espaço colaborativo –  de moda, a Malha. O empreendedor conta essa transição e questiona temas como consumismo, sustentabilidade, cuidado com o meio ambiente,  apropriação cultural no mundo da moda no livro Moda com Propósito. O lançamento é acontece quinta (8) na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi. Abaixo, a entrevista do autor à coluna.

O que é mundo com propósito? É um mundo no qual todos compreendem que estão interligados. Que não existe separação entre homem e natureza. e todos tem um dom, uma vocação, que atende uma necessidade no mundo. E o mesmo vale para as marcas. Elas também têm um papel na cocriação do mundo.

Vemos, todos os dias nas redes sociais, conceitos sobre uma vida mais humana sendo compartilhados: economia criativa, consumo consciente, impactos sociais, união de comunidades. Mas, como colocar isso em prática? Não é complicado… nossos antepassados faziam isso. Nas comunidade, locais mais carentes de recurso, as pessoas fazem isso o tempo todo. Elas trocam, pegam emprestado, se juntam, constroem coisas juntos… mas para que todos possam começar a fazer isso, é preciso mudar a cultura do TER para a do SER.

Ao mesmo tempo que essas iniciativas ganham espaço, existe ainda resistência. Como vê as últimas movimentações políticas como a eleição de Donald Trump. Como isso nos afeta simbolicamente? A resistência vem do fato de que as pessoas sempre estarão separadas por níveis de consciência. A eleição do Trump – que desafia e vai contra todos os padrões de uma nova era, mais consciente e colaborativa – mostra que infelizmente a grande maioria, por falta de acesso, educação, condição… parece estar ainda no velho mundo. Mas por outro lado, a própria politica tem nos mostrado que basta uma pessoa, para tomar decisões mais alinhadas com os desejos dos que estão um pouco mais a frente nessa transição… o Moro é uma dessas pessoas. simbolicamente isso me diz que não importa o todo, importa a consciência individual.

Acredita que o brasileiro pode ser cada vez mais colaborativo? Acredito que sim, pois somos criativos, solidários, próximos… já fazemos muito disso sem nos dar conta.

Como nasceu a Malha? Nasceu de um encontro que vários profissionais da industria da moda que estavam cansados ou desacreditados do modelo vigente… a sensação é a que roupa não cabe mais… que estamos criando, produzindo, comercializando, comunicando, como fazíamos há muito tempo atrás… a malha surge então como esse lugar de moda colaborativa, que junta todas as pontas da cadeira da moda, para encontrar novos formatos, novas soluções…

Como foi a “grande virada” na sua vida? Comecei a perder o gosto pela moda… fui investigar dentro de mim o porque.. e quanto mais eu mergulhei mais eu entendi que minhas atitudes não estavam condizentes com o mundo… no processo de pesquisa e entrevista para o livro eu entrei em contato com muitas pessoas que já estavam vendo a moda como veiculo de transformação, com projetos e histórias que me tocaram muito… então eu tive que mudar primeiro para depois mudar fora./ MARILIA NEUSTEIN