Marcos Mion lança livro inspirado em filho autista

Marcos Mion lança livro inspirado em filho autista

Sonia Racy

01 Dezembro 2016 | 00h45

EXCLUSIVO DIRETO DA FONTE

Uma simples pergunta ao filho sobre o que queria no Natal e uma resposta que viralizou com 15 milhões de visualizações convenceram Marcos Mion a escrever um livro. O título era o presente, A Escova de Dentes Azul, e o livro foi lançado ontem, na Cultura do Iguatemi. A história conta um episódio que aconteceu com o filho – Romeo, o mais velho – no Natal do ano passado. O menino está com 11 anos e sofre de TEA – Transtornos do Espectro Autista – motivo que levou Mion a se tornar porta-voz da causa. A seguir, trechos da conversa do apresentador com a coluna.

Como surgiu a ideia de escrever um livro infantil?

Ano passado perguntei para o meu filho mais velho, o Romeo, que faz parte do espectro autista, o que ele queria ganhar do Papai Noel e ele disse que queria uma escova de dentes azul e isso mexeu muito comigo. Na época escrevi sobre o fato em minhas redes sociais e o texto viralizou. Percebi que era necessário escrever sobre o tema.

Qual é o objetivo do livro?

Quebrar o preconceito, principalmente nas crianças. O Romeo estuda numa escola com crianças que não sofrem de TEA. Lá ele é o xodó da turma, nunca sofreu bullying. Meu objetivo, por tanto, é humanizar a causa, mostrar para as crianças que ser diferente é legal, que a genética autista está presente na vida de quase todo mundo. Se ainda não está, um dia estará.

Quando descobriu que o Romeo sofria de TEA?

Desde a barriga. Pelas condições da gravidez, que foi de risco. A Suzana já falou muito sobre isso, ela desenvolveu uma síndrome, começou a perder líquido amniótico, o Romeo passou a maior parte da gestação sem conseguir se mexer dentro da barriga e isso obviamente teve uma consequência. Também existe um exame que detecta a possibilidade da criança ser especial, o teste de translucência nucal e o dele deu alterado.

Quais são os principais sintomas do TEA?

Não existe um autista igual a outro. É muito peculiar. Mas, os principais pontos são: a criança faz movimentos repetidos involuntariamente, não conecta olho no olho, demora a falar e tem problemas de coordenação motora fina. Você se mostra um ‘paizão’ nas redes sociais.

Como é a sua relação com o Romeo?

Aprendi a me colocar sempre na posição de espectador, de aprendiz. Não tenho problema nenhum em compartilhar minha relação com meu filho. Já recebi muitos elogios de pessoas conhecidas que tem filhos nessa condição e não conseguem falar sobre o assunto. Para mim é algo muito natural.

Você se tornou uma espécie de porta-voz da causa no Brasil?

Por ter um filho que sofre com o TEA há 11 anos adquiri uma sabedoria muito grande sobre o assunto e comecei a trabalhar em cima da causa. Muita gente que tem filhos nessa situação não sabe identificar os sintomas e são mais de dois milhões de famílias brasileiras que sofrem com os transtornos do autismo, muita gente. A última conta que saiu é de que cada 50 crianças que nascem, uma é autista. /SOFIA PATSCH