‘Samba, o cidadão mais interessante do País’

‘Samba, o cidadão mais interessante do País’

Sonia Racy

12 de novembro de 2016 | 01h05

Wilson das Neves e Nelson Sargento. FOTO: Divulgação

Wilson das Neves e Nelson Sargento. FOTO: Divulgação

Juntos, eles somam 172 anos e não pensam em se aposentar. Questionados sobre estarem dividindo um palco pela primeira vez em mais de 50 anos de parceria, desdenham: “Não é nada extraordinário, a gente tocou junto a vida inteira. Recebemos um convite e estamos aqui. Mas é uma honra, tudo tem seu tempo certo”, responde Wilson das Neves – com a concordância de Nelson Sargento. O encontro, para os dois, é tão comum que nem tinham uma foto juntos. “Eu fui amigo a vida inteira do Cartola e também não tenho foto com ele”, avisa Sargento.

A dupla sobe hoje ao palco do Sesc Pompeia para festejar o centenário do samba, marcado pelo registro da gravação de Pelo Telefone, em 1916. A música que abre o show, Fragmentos do Amor, demorou cinco anos para ser finalizada. “O Nelson é meio preguiçoso. Eu lhe dei a música e ele demorou cinco anos pra colocar a letra. E aí, quando perguntei pra ele onde estava a letra, ele me perguntou se eu estava com pressa”, conta Neves, gargalhando. “Ele me mandou duas músicas. Essa demorou cinco anos, mas a outra vai demorar só dois. Já está quase pronta na cabeça”, retruca, rindo, Sargento.

É nesse clima de cumplicidade e malandragem que os dois revisitam seu vasto repertório, intercalado por uma boa prosa. As músicas foram escolhidas por Agenor de Oliveira, músico, compositor e parceiro de Sargento. Mais do que a harmonia na música, Sargento e Neves dividem o respeito e o amor pelo samba. “O samba é o grande cidadão brasileiro, é o cidadão mais interessante desse País. Eu viajei para o exterior por causa do samba. Pra ser internacional, ou você é empresário, ou você joga futebol ou você faz samba. Eu faço samba. E o samba não tem classe, não tem cor, não tem preconceito”, diz Sargento.

E o samba tem papel importante na sociedade hoje? “Ô se tem, o samba fala a verdade. Olha como eles implicam com o Chico Buarque só porque ele fala a verdade. O morro já desceu, olha essa juventude aí ocupando escolas. O Brasil ainda vai ser uma grande nação, está acordando. Isso é só o começo”, responde Neves. O encerramento do show será com as paixões dos dois: Sargento canta sua escola, Mangueira, e Neves canta o seu Império Serrano. E sobre o público de São Paulo? “Basta dizer que não tem medo de chuva”, responde prontamente o baluarte da Mangueira. “Ô, sorte!”, emenda Neves, com seu bordão. /JULIANNA GRANJEIA

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