O desafio de conviver com a vergonha

Sonia Racy

03 de novembro de 2016 | 00h55

EXCLUSIVO DIRETO DA FONTE

Quando a psicanalista Marina Kon Bilenky
começou a sua pesquisa sobre a vergonha, há alguns anos, descobriu pouco material sobre o assunto em seu campo profissional. Resolveu debruçar-se sobre o tema… e assim nasceu o livro Vergonha – parte da série O Que Fazer? – a ser lançado, terça-feira, na Livraria da Vila da Fradique, com debate com a autora e Yudith Rosenbaum. Abaixo, trechos de sua conversa com a coluna.

Como surgiu a ideia de falar sobre a vergonha e como desenvolveu o tema para o livro?

Todo mundo sente vergonha de algum jeito e, observando o mundo de hoje, no qual todos têm que aparecer, se expor, publicar nas redes sociais… pensei sobre as pessoas que têm vergonha. Como elas fazem? Foi assim que resolvi escrever esse livro. Além de ter encontrado poucas coisas escritas sobre o tema na psicanálise –ao contrário da filosofia, que fala bastante do tema.

Isso aparece no consultório?

Quando você começa a prestar atenção, vê que é bastante constante. Alguns psicanalistas que leram o livro até comentaram comigo. Muitas vezes a pessoa sente vergonha até de falar sobre isso. E a vergonha aponta para questões mais narcísicas. Então, é bem importante para o analista.

É forte a ideia de que é um sentimento pejorativo. Daí vem a vergonha de ter vergonha?
Sim. E isso é o que faz com que esse sentimento fique ainda mais escondido para a própria pessoa. Ela não expõe suas vergonhas porque isso é considerado feio. Também não enfrenta situações que podem desencadear vergonha para não mostrar. Então, deixa de viver muitas coisas por conta disso.

E como se pode combater esse sentimento?

É difícil, complicado. Mas, no livro, falo sobre começar a se expor e aceitar a própria vergonha que, muitas vezes, nasce também de ideais elevados. A pessoa se sente fracassada porque tinha que ser algo ideal e não consegue. Então é importante trabalhar essa questão, repensar esses valores./ MARILIA NEUSTEIN

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