PRB promete igreja fora da política

PRB promete igreja fora da política

Sonia Racy

02 Novembro 2016 | 00h55

Ministro Marcos Pereira, presidente do PRB. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

Ministro Marcos Pereira, presidente do PRB. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

Presidente do PRB, que elegeu Marcelo Crivella à prefeitura do Rio, o ministro Marcos Pereira rejeita a versão de que o partido seja “um braço” da Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, dono da TV Record. “Dos 22 da nossa bancada em Brasília, 12 não são da igreja. Dos 1.600 vereadores no País, no máximo 200 são, e entre prefeitos, só o Crivella”. Mídia e religião, garante o ministro, não serão pautas do novo prefeito.

Hoje, o partido faz sua primeira avaliação do resultado eleitoral e dos cenários que tem pela frente. Um segundo encontro está previsto para o dia 15. O foco principal, para os dirigentes, é criar condições para o partido crescer mais em 2018 – dobrando a atual bancada na Câmara, elegendo mais senadores e, quem sabe, emplacando governadores nos Estados. Essas metas coincidem com o livro Plano de Poder, que Edir Macedo lançou há oito anos. Na obra, ele prega que Deus tem um plano político para os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus e seus aliados: governar o Brasil.

Convidado para conselheiro da gestão de Crivella, o ministro da Indústria e Comerci0 diz que as críticas a respeito da ligação do partido com a Igreja serão respondidas com ação. “A religião não influencia o trabalho quando se tem competência. Quando eu fui para o ministério recebi muitas críticas. Hoje, o feedback do setor é produtivo e positivo”, afirma. “Não misturo esses assuntos com o ministério e ele também não vai misturar com a prefeitura”. Pereira lembra, ainda: “Temos liberdade de imprensa. TCU, Ministério Público e a própria mídia fiscalizando nossa atuação.”

O crescimento do PRB nos últimos anos, acrescenta, nada tem a ver com a ação da Universal. “Atribuo isso ao planejamento. Desde 2009, ao assumir a presidência do partido, viajei por todos os Estados. Fizemos plenárias, eventos, filiamos lideranças empresariais, políticas e comunitárias. Meus discursos foram: precisamos trazer para a política pessoas do bem. Se você não se envolver, vai ser governado por outro”. / JULIANNA GRANJEIA