‘Foco é a corrupção’

‘Foco é a corrupção’

Sonia Racy

30 de setembro de 2015 | 01h10

rosangela lyra biografia

Foto: Iara Morselli

Rosângela Lyra mudou de ideia. Após algumas conversas e debates, a empresária alterou os rumos do seu trabalho e anunciou, esta semana, sua saída do movimento Acorda Brasil para se dedicar inteiramente à campanha “10 medidas contra a corrupção”, do Ministério Público Federal. Entre seus planos, maratonas para coleta de adesões e uma festa, no dia 22, para entregar ao MPF o próximo lote de assinaturas.

Você vinha defendendo a saída da Dilma. O que mudou?
A presidente tem se mostrado péssima gestora, mas, enquanto não houver provas irrefutáveis contra ela, sou contra recorrer ao impeachment. Banalizar esse processo pode ter um custo muito alto. Se esse cenário mudar, OK – mas tudo dentro da regra democrática. Cada vez que afirmo que minha bandeira não é o impeachment e sim o Brasil, sou tachada de petista… Mais ainda depois de colocar um casaco vermelho e coletar assinaturas na Praça da Sé, em evento do PT, o que fiz para mostrar que o combate à corrupção nos une.

Por que saiu do Acorda Brasil?
Quero me dedicar exclusivamente à coleta de assinaturas contra a corrupção. Acho que é a única coisa que de fato vai fazer uma mudança de estrutura do Brasil, do sistema.

Como seria a mudança que você espera?
Uma mudança nas leis. As 10 medidas contra a corrupção mexem na forma como o crime de corrupção é tratado. A pena mínima é de dois anos e a pena para roubo é de 4. Hoje compensa ser corrupto no Brasil porque os frutos do crime são muito maiores que os riscos, que são muito pequenos.

Como será a sua maratona?
Resolvemos fazer algo diferente. Nunca houve, antes, uma coleta de assinaturas por 24 horas. Escolhemos alguns lugares que ficam abertos na madrugada, como a feirinha do Brás, e, bem de manhã, a Ceagesp. Nossa maior dificuldade nessa missão é conseguir pessoas engajadas e comprometidas que arregacem as mangas e saiam de trás do computador – pois essa busca não é online e sim em papel.

Você pretende se candidatar nas próximas eleições?
Fiquei atrelada a uma marca durante 28 anos. Há dois, quando pedi demissão, adquiri minha liberdade – e por isso não me candidato a cargo eletivo. Para fazê-lo teria que me filiar a um partido e assim perderia a liberdade tão deliciosamente adquirida. Gosto de debater no Política Viva com todos os partidos. \MARINA GAMA CUBAS