Um bom negócio

Um bom negócio

Sonia Racy

02 Dezembro 2014 | 01h20

Foto: Iara Morselli/Estadão

Iafa Britz tem trajetória peculiar no cinema: queria estudar Medicina, enveredou pelas Ciências da Computação e, “por um engano”, acabou assistindo a uma aula de produção de vídeo. Apaixonou-se. Dona da Migdal Filmes, ela vem investindo no cinema nacional desde 2010 e comemora suas mais recentes produções. Uma delas, Irmã Dulce, de Vicente Amorim, acaba de estrear; as outras são um documentário sobre Cássia Eller, de Paulo Fontenelle, e Casa Grande, dirigido por Fellipe Barbosa – que devem chegar às telas até o começo do ano que vem. E também está produzindo Linda de Morrer, com Glória Pires. Na TV, sua série Alucinadas vem sendo exibida no Multishow, e já está em pré-produção a terceira temporada de Canalhas, que vai ao ar no GNT no início de 2015. Durante rápida passagem por São Paulo, a carioca respondeu a algumas perguntas da coluna.

Produzir cinema no Brasil é mesmo um bom negócio?
Sim. Tem seus altos e baixos, mas, desde que bem planejado, traz resultados. Entretanto, ninguém está nesse negócio só para pagar as contas. Exige uma dedicação e uma paixão que vão muito além do retorno financeiro. E é como um visgo. Depois que a gente entra no cinema, não sai mais. Comigo não é diferente.

É possível criar uma indústria importante de cinema no País? Qual o melhor modelo?
Não acho que exista um modelo ideal a ser seguido integralmente. Na verdade, cada país deve se adaptar à sua própria realidade, buscando o equilíbrio entre desenvolvimento e fortalecimento da produção e a demanda do público.

O que dizer de episódios como o do filme Jogos Vorazes, que estreou em quase metade das salas de cinema do Brasil? Como mudar essa dependência das produções de Hollywood?
A ocupação de salas vem sendo discutida por representantes da indústria cinematográfica há bastante tempo e não tem uma solução única e simples. É uma questão complexa por tratar de interesses e direitos diversos. O desafio é encontrar um equilíbrio para que a indústria siga crescendo e se atenda a todo tipo de público.

O que o governo pode fazer para melhorar o cenário do cinema no País?
Temos uma indústria em desenvolvimento. Muito já foi feito via leis de incentivo e regulamentação, mas ainda há muito a aprimorar e ajustar. Além disso, há questões que não dependem do governo. A boa notícia é que os temas estão sendo discutidos. /DANIEL JAPIASSU