Madame Huppert

Madame Huppert

Sonia Racy

02 de abril de 2014 | 01h10

Foto: Divulgação

Isabelle Huppert, considerada uma das maiores atrizes francesas da atualidade, confessa: não assiste a séries de televisão. Tampouco se prepara para seus papéis. O que ela precisa é somente de solidão e concentração para atuar. A musa chega dia 14 a SP para divulgar dois longas no Festival Varilux de Cinema Francês, que começa dia 9 de maio. A atriz conversou com a coluna por telefone, anteontem.

Abaixo, os melhores trechos da entrevista.

Em Um Amor em Paris, de Marc Fitoussi, a senhora interpreta uma mulher que depara com incertezas em seu casamento.

É uma comédia bem leve, delicada, como seu diretor. Minha personagem é uma fazendeira que decide ir para Paris resolver um problema de saúde. Essa viagem acaba sendo transformadora. O prisma do filme é muito charmoso, com um senso de humor sem vulgaridades.

É a segunda vez que trabalha com esse diretor. Em Copacabana, de 2010, a senhora contracenou com sua filha. Como foi?

Absolutamente maravilhoso. Ela é uma jovem atriz incrível. Copacabana é um filme sobre conflitos que existem na relação mãe e filha. E foi um “plus” para a história o fato de sermos mãe e filha na vida real.

E em Uma relação Delicada, que também estará no Festival a senhora faz uma cineasta que sofre uma hemorragia cerebral.

Estou feliz de poder apresentar dois personagens tão diferentes para o público brasileiro. Esse filme, na verdade, é bem autobiográfico. Há alguns anos Catherine (Breillat) sofreu um derrame.

Como foi a preparação para esse papel?

Eu não me preparo para nenhum papel. Nesse caso, eu só imitei ela. Foi feito baseado na minha observação. E somos muito amigas. Foi um processo muito natural, apesar de ser uma situação diferente fazer um filme sobre alguém que está na sua frente, te dirigindo. Ainda mais em uma situação física frágil.

No documentário Isabelle Hupert Une Vie Pour Jouer a senhora aparece lendo o jornal, relaxada, antes de entrar no palco.

Sim (risos) Acho que toda atriz tem seu ritual antes de entrar em cena. No meu caso, tenho só que me concentrar. Não gosto de falar com ninguém, gosto de ficar sozinha, então por que não ler o jornal? (risos).

Seus personagens são, em sua maioria, mulheres fortes. Semana passada, Paris elegeu pela primeira vez uma prefeita mulher. O que acha?

Não acho que minhas personagens sejam fortes nesse sentido. Acredito que a força da maioria das mulheres que interpretei nascem de suas fraquezas. São personagens capazes de sobreviver às suas fragilidades e, por isso fortes. É uma força diferente de uma mulher em cargo público.

Mas a senhora achou que foi importante ter elegido uma prefeita mulher?

Sim, claro! Fiquei contente e torço por ela.

Em 2009, a senhora ficou em cartaz no Brasil com a peça Quartett, de Bob Wilson. Quais foram as suas impressões do público brasileiro?

Foi uma experiência maravilhosa. Passei por São Paulo e Porto Alegre. Fiquei muito impressionada com a qualidade da plateia. A gente sente quando o público entende e desfruta do texto da peça. Aí foi assim.

Acompanha o sucesso das séries de televisão, como House Of Cards, com Robin Wright – de quem esteve ao lado no Juri de Cannes?

Tenho que confessar que não assisto nenhuma série de televisão. Não é que eu me orgulhe disso, pelo contrário. Vejo as pessoas viciadas e queria poder me entregar dessa forma, mas realmente não vejo (risos). Quando tenho algum tempo, prefiro assistir a filmes e ler. Mas sei que estou perdendo um grande conteúdo. /MARILIA NEUSTEIN

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