O folião zen e a foliã comum

Sonia Racy

12 Fevereiro 2013 | 01h01

De chinelos e calça social azul-marinho, Adam Clayton, baixista do U2, tentou passar despercebido pelo camarote da Devassa, domingo – primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio. Ao lado de amigos brasileiros, não hesitava em tirar fotos e dar autógrafos, circulava sem seguranças e pegava o próprio chope. Chegou a ficar descalço. Até que foi “descoberto” pelos jornalistas.

Não quis saber de dar entrevistas, mas ficou até quase 4h no sambódromo e logo fez amizade com fãs. A uma delas, o integrante mais zen da trupe de Bono declarou, após assistir ao bailar dos foliões na Marquês de Sapucaí: “Achei muito interessante”. Adam, que está no Brasil para prestigiar o artista plástico e amigo Martin Creed, negou que a banda não queira mais sair em turnê. “Não, isso não é verdade. E estamos gravando.”

Quem também ficou até tarde foi Alinne Moraes, de minivestido superdecotado nas costas, confeccionado por Walério Araújo – ele de coroa na cabeça e longa capa vermelha. “Essa peça da Alinne está no limite da ousadia”, explicou o estilista. Araújo preparou uma dupla saia-lápis e corselet para a musa usar na segunda-feira de carnaval. E ela teve tempo de mergulhar no mundo do samba? “Sou caxias e não consegui acompanhar. Há 5 anos não tirava férias”, revelou Alinne.

Salgueirense, Dunga elogiou a passagem da escola da Tijuca pela passarela do samba. Não demonstrou o mesmo bom humor em relação aos preparativos para a Copa e a Olimpíada no Brasil. “Toda a infraestrutura do Panamericano foi por água abaixo, a programação é longa e estamos muito perto do Mundial”, criticou. “Mas o estrangeiro vem para cá pensando na alegria do brasileiro e não que está tudo organizado. Isso ajuda um pouco a tapar os furos”, ponderou.

Do lado de fora, alheia ao vaivém das celebridades, Graça Foster passava pela lateral do sambódromo – “invisível” para o público, já na madrugada. Suada, partes da fantasia nas mãos após desfilar pela União da Ilha, a presidente da Petrobrás parecia apenas mais uma foliã.

“Sou uma pessoa comum”, disse à coluna. E tem como não pensar no trabalho ao pisar na avenida? “Nessa hora, tem uma energia especial, só penso nisso.” /MIRELLA D’ELIA