“O Brasil deve ter uma base continental”

“O Brasil deve ter uma base continental”

Sonia Racy

28 Fevereiro 2012 | 23h01

Amyr Klink estava na Antártida até anteontem. E soube do incêndio que aconteceu na Estação Comandante Ferraz do outro lado do gelo, abrigado em sua embarcação. Indagado sobre o acidente, o grande conhecedor da região sugere: que a nova base seja reconstruída no continente.

Dados indicam que a base brasileira na Antártida não estava recebendo investimentos necessários para manutenção.
Além dos investimentos inconstantes – que provocam resultado científico irregular –, a base brasileira tem uma concepção antiga. Quando foi construída, representava uma escolha oportunista. A ilha de King George não oferece as condições climáticas necessárias para as pesquisas.

Acredita, então, que deveria ser reconstruída no continente?

Sim. O Brasil, por sua posição econômica e geopolítica, reúne todas as condições para ter uma base continental. Eu, por exemplo, conheço quatro pontos no continente que seriam viáveis. Há muitas opiniões polêmicas sobre essa base estar em uma ilha subantártica. O programa de pesquisa é importante e bem conduzido, mas tem graves erros de concepção.

Está construindo duas novas embarcações. Novo projeto?

São embarcações de resgate polar, que ainda não existem em nenhum lugar. Estou há um ano e meio trabalhando no conceito. É, justamente, para casos de incêndios como o da semana passada ou afundamento de barcos privados na região. Estamos desenhando essas lanchas com uma autonomia superior a duas mil milhas. Além de tudo, é um projeto de baixo custo. A ideia é terminá-las e fazer o primeiro teste na Antártida até o fim do ano./MARILIA NEUSTEIN