“Kaká tem que se defender”

Sonia Racy

24 de junho de 2010 | 08h52

Rosto pouco conhecido, Simone Leite recusa o rótulo de “bom moço” para seu filho Kaká. Diz que o camisa 10 da seleção é apenas um ser humano que “se irrita, chora, sente dores e alegria”.

Sobre a suposta mudança de comportamento do craque tanto no jogo pesado no gramado, quanto nas caneladas com a imprensa, explica: “Ele tem que se defender”. A coluna conversou anteontem com a mãe do jogador durante testemunho de fé de sua nora, Caroline Celico, para 40 mulheres cristãs em apartamento no Morumbi.

Em entrevista coletiva, Kaká se queixou de ser perseguido por jornalista por propagar sua religiosidade. Concorda com ele? Às vezes as pessoas confundem o jogador com a fé. Nós nunca falamos: “Faça isso ou aquilo”. Respeitamos, amamos as pessoas e falamos do amor de Deus.

Acha que ele se excedeu no desabafo de anteontem? Acho que foi na medida certa. Tem pessoas que falam o que querem, isso é uma falta de respeito total. Nós não vamos na televisão difamar ninguém. As pessoas têm que ter limites. Acho bacana o que ele falou e o apoio. Ele está certo.

O que você achou da Fifa ter proibido comemorações com frases religiosas nos estádios? Acho que se eles colocaram isso é para cumprirmos…Tudo bem, não tem problema. Jesus não está só numa camiseta.

Kaká está bravo com a imprensa assim como Dunga? Não. Ele tem uma ótima relação com a imprensa. Eu respeito o Dunga. É uma pessoa de caráter firme e personalidade bacana. O Dunga é assim. Outro técnico é de outra forma. E se alguém mais aberto assumir, vamos na do outro.

Como está a saúde dele? Ele está ótimo, não sente mais dores. Estamos vendo sua evolução a cada partida. Jogou muito bem na última, deu passes importantes. Está recuperado, trabalhando duro pelo preparo físico.

E o que achou da expulsão? Triste. Não foi merecido, foi um jogo violento. Diante da pancadaria, até que não aconteceu nada grave. O Elano se machucou e o Kaká foi expulso, mas poderia ter sido pior.

Você acha que ele está mais agressivo em campo? O Kaká tem que se defender. É natural. É ser humano. Ele também se irrita, chora, sente dor, alegria e brinca.

Mas ele continua sendo o “Kaká bom moço”? Pra mim ele é o Kaká. O bom moço fica por sua conta.

Por Paula Bonelli

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.