‘Somos um espelho’

Sonia Racy

13 de abril de 2010 | 07h50

James Cameron perdeu seu bilhete de volta para os EUA. No Brasil há duas semanas, o simpático diretor de Avatar já plantou pau-brasil, gritou seguidas vezes contra a construção da usina de Belo Monte, foi a fórum de sustentabilidade e encontrou-se domingo, em SP, com Marina Silva.

“Ela é inteligente”, limitou-se a dizer à coluna. Integrante novato do bloco contrário à construção de Belo Monte, o diretor justifica: “Desde Avatar tenho recebido pedidos de ONGs do mundo inteiro. Faço uma filtragem e abraço as causas nas quais acredito.”

Mas a festa no Brasil ainda não acabou. A comitiva passou de SP para Brasília e, dali, ruma para Altamira, no Pará. De onde decola amanhã rumo a Washington, onde tem encontro com Obama.

Foi depois da conversa com Marina que o diretor teve finalmente seu “momento business”, em jantar na casa de Nizan Guanaes. Ali, cordão de cipó no pescoço – presente de um índio xavante – o cineasta assistiu a versões de seu longa em DVD e blue-ray.

Entre uma centena de convidados, os cerca de dez índios da festa eram recebidos aos abraços por James. Com cocar e corpo pintado eles faziam fila para convidá-lo a visitar as aldeias. Sorridente, dizia sim a todos. Mas, e os indígenas americanos? “Se alguém tivesse feito algo nos EUA como estamos fazendo agora, eles não teriam sido dizimados. Nós somos o espelho de um futuro que pode ser evitado”, disse.

Sigourney Weaver, estrela do filme, foi mais econômica nas palavras. Quando se rendeu a um papo com um índio do Rio Negro, foi surpreendida. Ele desatou a falar sobre suas experiências como… ator. Foi quando a estrela, queixando-se de dor de cabeça, decidiu deixar a festa.