‘Desisti dos números’

Sonia Racy

09 de dezembro de 2010 | 23h01

Rosita Missoni, a italiana fundadora da marca que carrega seu sobrenome há quase 60 anos, não esmorece: veio a São Paulo para comemorar, anteontem, um ano da inauguração de sua loja em São Paulo e fazer palestras. Ela falou com a coluna à beira da piscina da casa de Karla e Marcelo Felmanas, que a homenagearam com jantar. Sentou-se no chão e pediu uísque com gelo.

Qual é sua impressão sobre o mercado brasileiro?

Não costumo mais acompanhar o lado comercial da marca. Desisti dos números. Na minha idade, posso me dar o privilégio de trabalhar apenas com criação.

A senhora acaba de completar 80 anos. Como se sente?

Não esperava que pudesse chegar até aqui com tanta energia. Viajo sempre, não tenho problema com fuso horário e durmo muito bem. Minha curiosidade é a mesma da adolescência, quando tinha 16 ou 17 anos. Isto me ajuda a aproveitar velhos ou novos lugares.

Pensa em se aposentar?

Olha, no fim dos anos 90 eu bem que tentei ao promover minha filha Angela ao meu cargo. O alívio foi grande. Eu estava cansada e percebi que minha vida não correspondia mais às demandas modernas. Queria um tempo para curtir a minha casa, aproveitar para encarnar a “vovó”. Tenho nove netos. Também não queria mais ir a homenagens, festas, velórios ou mesmo para a fábrica.

Mas a senhora voltou.

É que senti um vazio enorme. Decidi, então, cuidar da Missoni Home, que ia bem comercialmente, mas não era muito fashion. Eu, por exemplo, não usaria aqueles produtos na minha casa. Optei por levar meu olhar para a decoração.

Como a Missoni consegue sobreviver até hoje como uma empresa familiar ?

Também me surpreendo. Mas os negócios vão muito bem do jeito que estão. Não há motivo para mudar. Já estamos na terceira geração e Margherita, minha neta, cuida de acessórios e bolsas da empresa. Ela é talentosa, quis ser atriz. Agora só pensa em moda.

Como será a sucessão?

Não sabemos ainda. Há muita gente capaz na família…

DÉBORA BERGAMASCO

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