Sandra Vargas, do Sobrevento: o papel dos adultos na escolha de uma peça infantil

Estadão

11 de abril de 2010 | 18h21

E por falar no I Catálogo Livre do Teatro Infantil (organizado por Karen Acioly – leia no post anterior deste blog), eu estava lendo o capítulo das chamadas “autoentrevistas”, em que personalidades do setor do teatro infantil fazem perguntas para elas mesmas, como forma de divulgar seu trabalho, e me deparei com a página de Sandra Vargas, do Grupo Sobrevento, veterana companhia que ajudou a criar, ao lado de Luiz André Cherubini.

Sandra foi premiada como atriz por seu inesquecível monólogo O Anjo e a  Princesa, com estética inspirada nos móbiles de Calder. Jamais esquecerei dessa montagem do Sobrevento.

Estou escrevendo agora sobre ela, pois quero dividir com vocês a pergunta que ela (Sandra) se fez e, claro, a resposta que ela se deu. Vale a pena refletirmos sobre isso. Vou reproduzir abaixo. Sandra Vargas fala do papel dos adultos no teatro infantil. Ah, os adultos… Vejam se não é o caso de refletir muito e debater sobre esse aspecto.

Sandra Vargas pergunta: O que mais a frustra no fazer teatral para crianças?

Sandra Vargas responde: “O que mais me frustra são os mediadores. Sobretudo, os programadores dos teatros, os professores e os pais. Lamento que, por parte deles, haja uma visão do teatro infantil como mera recreação, com raras exceções. Falta uma conscientização do importante papel que desempenham: eles devem ser criteriosos no que escolhem para as crianças. Frequentemente, porém, os critérios para escolherem uma peça infantil resumem-se ao seguinte:

No caso dos professores – ao ensino de determinado conteúdo da grade curricular.

No caso dos pais – à pouca distância entre a sala de teatro e sua casa.

No caso dos programadores – ao baixo custo e à facilidade da montagem e desmontagem dos cenários.

É essa falta de critérios que abre espaço a espetáculos oportunistas, que desrespeitam a criança.”

Obrigado, Sandra, por essa chance que você nos dá de pensar sobre isso tudo. Ah, nós, os adultos…