Papo rápido com Vladimir Capella

Estadão

02 de abril de 2010 | 18h52

Vladimir Capella

Vladimir Capella

Quem acompanha o teatro infanto-juvenil que é feito em São Paulo conhece muito bem o encenador Vladimir Capella, muito premiado e reconhecido, que já nos brindou com espetáculos inesquecíveis como Maria Borralheira, Píramo e Tisbe e Miranda. Abaixo, três perguntas que fiz pra ele, especialmente para vocês, leitores deste blog. Vamos aprender com Capella?

1) Você acaba de realizar ‘O Colecionador de Crepúsculos’, um grande espetáculo sobre Câmara Cascudo, um craque no aproveitamento de causos e literatura oral. Quem você acha que é hoje um grande nome da cultura popular que renderia um belo espetáculo para crianças?

Vladimir Capella – Meu  trabalho  está  muito  vinculado  ao  passado. Não  consigo  me  imaginar  trabalhando  em  um  texto/espetáculo  sobre  alguém,  uma  personalidade  que  esteja  atuante  no  momento  agora. Sinto  que  é  necessário  um  tempo  grande,  um  distanciamento  para  poder  falar  ou  prestar  tributo  a  alguém. Mas, se  eu  tivesse  que  escolher  uma  pessoa,  creio  que  seria  Chico  Buarque  de  Hollanda. 

 

2)  Você tem usado basicamente os mesmos profissionais para atuar em seus espetáculos, como os cenários de J. C. Serroni e a trilha sonora de Dyonisio Moreno, entre outros. Você acha que o segredo de uma boa produção é a continuidade de trabalho com profissionais com quem você tenha afinidade ou arriscar também é um caminho saudável?

Vladimir Capella – As  duas coisas são possíveis e válidas, mas ambas têm vantagens e desvantagens.  O novo pode ser muito saudável, estimulante e provocar mudança que, às vezes, por  resistência ou acomodação, a gente não percebe que são necessárias.O problema é  correr o risco, nas condições em que trabalhamos. Esse é o grande entrave para as novas experiências e parcerias. O tempo que se tem para produzir um espetáculo é mínimo e qualquer deslize pode botar  tudo  por  água  abaixo e aí  não dá  mais pra  consertar,  nem isso é  possível, é  irreversível. Agora, profissionais que atuam  há  mais tempo  juntos têm mais chances de  acertar.

3) Você pode contar para os leitores desse blog como é seu processo de escolha de elencos? Pois seus elencos são sempre numerosos, e com grande número de atores jovens e inexperientes. Deve ser uma das fases mais trabalhosas de suas montagens, não?

Vladimir Capella – Determino  o  perfil  que  preciso  para  a  montagem  e  escolho  os  atores através de  divulgação  em  escolas  de  teatro,  boca  a  boca  e  até  internet. Depois,  faço  um  workshop  com  os  atores  escolhidos  e  durante  essa  semana  de  trabalho  acabo  definindo  o  elenco.   Isso evita  os  famosos  testes  que,  além  de  constrangedores,  não  conseguem  mostrar  a  capacidade  real  do  ator.   Pelo menos  na  minha  avaliação. E  assim,  do  jeito  que  tenho  feito,  ninguém  se  sente  usado,  consigo  ver  melhor  as  possibilidades  de  cada  um  e  é  muito  divertido  pra  todos.

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