Observando os pais…

Estadão

13 de março de 2010 | 18h11

Os pais na plateia… 

No domingo passado, fui ao Shopping Higienópolis ver A Bruxinha Que Era Boa, na montagem do diretor Rodrigo Palmieri. Como Maria Clara Machado, nossa saudosa autora, uma das pioneiras do teatro infantil no Brasil, era um talento para escrever para crianças! Sempre que revejo uma peça dela tiro o chapéu.

Mas aqui quero comentar a reação dos pais da plateia. Como se trata de um espetáculo sobre bruxas, muitas crianças pequenas já se assustam na primeira cena, pedem para ir embora, começam a chorar. Os pais invariavelmente tentam fazer de tudo para segurar a criança na plateia. Será mesmo a melhor atitude?

A reação de uma criança a um espetáculo, seja de alegria, de euforia, de medo e até de pavor e pânico, é muito saudável. É a reação dela. Se chora, se ri, se quer ir embora, por que interferir nisso?

O que vi na plateia do Teatro Folha naquele domingo foi patético até. Querendo antecipar, antever, adivinhar a reação dos filhos aos gritos histéricos das bruxas, muitos pais soltavam gargalhadas forçadas, falsas demais, na tentativa tola de que seus rebentos se acalmassem, não sentissem medo. Não é constrangedor? São pais querendo conduzir a emoção, a reação, dos filhos. Querendo minimizar o susto, proteger as crianças do medo. Na minha modesta opinião, eu, que também sou pai, isso é um graaaaaande equívoco.

Na minha fileira, uma menina, de tanto medo da estridência das bruxas, tapou os ouvidos com as mãos e assim ficou por 15 minutos, até pedir ao pai para sair. Esse pai não hesitou: tomou a menina pelas mãos e se retirou com ela da sala. Quase aplaudi a atitude dele em cena aberta. Um dia, a filha vai ficar até o fim numa peça de Maria Clara Machado. Mas um dia. O dia que for dela, do ritmo dela, da maturidade dela.

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