O destempero de um ator

Estadão

04 de março de 2010 | 19h17

Após meu primeiro post com minha carta de intenções, quero logo contar algo muito desagradável que presenciei no fim de semana. Frequento plateias de teatro infantil há pelo menos uma década e meia, e nunca fiquei tão chocado com o comportamento de um ator de teatro na plateia.

Sim, pasmem, um conhecido ator de teatro paulistano foi ver, no auditório do Sesc Paulista, no domingo chuvoso, a peça A Mulher Que Matou os Peixes e Outros Bichos (excelente, aliás, vou postar sobre ela em seguida!).

 A peça começa. Uma mãe chama o ator, já sentado em seu lugar, no meio da plateia: “Moço! Moço!” E pede pra ele abaixar um pouco na poltrona ou mudar de lugar (sim, havia lugares vagos ao lado dele), pois as crianças não estavam enxergando direito, já que era um cara de porte físico grande.

 Não vou contar a vocês o nome dele, não. Vou preservá-lo, por respeito a tudo de bom que já vi dele no teatro e sua trajetória de talento, inclusive na TV. Mas eis que o tal, em atitude de assombrosa arrogância, comenta em voz alta com seu acompanhante: “ – Mas era só o que me faltava!” E não parou por aí: como a mãe insistisse, ele se virou para trás por duas vezes e tascou: “- Cala a boca! Cala a boca!” E lá continuou, sentado, sem se preocupar com mais nada. Um ator de teatro!

 Fiquei estarrecido com essa atitude pouco solidária dele com as crianças da plateia. Com a falta de educação, com o tom autoritário. Não consegui ficar sem escrever isso aqui, pois acho um exemplo infelizmente muito apropriado para o tipo de blog que quero manter no Portal do Estadão, um blog contra todo e qualquer preconceito que atinja as produções de teatro para crianças e jovens.

 São atitudes assim desrespeitosas que contribuem para que ainda se mantenha, até hoje, esse ranço e esses diminutivos: teatrinho, pecinha, criancinha, palhacinho…

 Opinem, por favor, se vocês se espantam, como eu, com  essa atitude do tal grande ator ou se, ao contrário de mim, acham que ele tinha razão em ficar tão ofendido com aquela mãe, mesmo impedindo a visão das crianças atrás dele. Um ator de teatro!  Numa plateia de teatro! Pra mim, é inadmissível que qualquer um de nós se recuse a colaborar com a visão do público mirim na plateia, ainda mais um ATOR DE TEATRO…

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