NAS BANCAS: TEATRO INFANTIL, ARTE DE GENTE GRANDE

Estadão

23 de maio de 2010 | 18h16

Cada vez mais, os profissionais que atuam no teatro infantil e jovem circulam pelas mais variadas áreas das artes cênicas e se preparam com afinco e talento para derrubar os tabus e preconceitos que ainda prejudicam o setor. Na capa do Caderno 2 de amanhã, segunda, dia 24 de maio (edição impressa), escolhi cinco profissionais – em pleno momento de vigor criativo – para conversar sobre seus ofícios e os desafios de fazer a nova geração se interessar por peças teatrais de censura livre.

As entrevistas não estarão na íntegra no jornal, pois ficaram muito grandes, e papel tem lá suas limitações. Elas estarão todas aqui na íntegra a partir de amanhã.

Todos os cinco entrevistados estão com excelentes espetáculos em cartaz, de um nível que faz frente a qualquer produção, incluindo as atrações para adultos. O autor e diretor, Leonardo Moreira, de Cachorro Morto, fisgou o interesse dos jovens com um tema árduo: a síndrome de Asperger. Um cenógrafo, Beto Andreetta, da cia. Pia Fraus, encanta pais e filhos com uma solução cênica surpreendente, em Filhotes da Amazônia. Um figurinista, Leo Diniz, faz todo mundo querer subir ao palco para “passar as mãos nas roupas”, em O Poeta e as Andorinhas. Um compositor de trilhas sonoras, Daniel Maia, usa a música (em parceria com Dr. Morris) como a principal força dramática de um imperdível espetáculo sem palavras, Rabisco. E a atriz Virginia Buckowski dá seu tocante depoimento de intérprete que ousa falar de morte para crianças, no corajoso O Travesseiro.

“O importante é considerar que existem outras formas de perceber o mundo além da nossa”, diz Leonardo Moreira. “No caso de Cachorro Morto, o espetáculo partiu da minha experiência pessoal, da minha inadequação durante a infância e de como isso determinou a minha forma de perceber o mundo.”

“Às vezes, eu acho uma pena que a distância entre o palco tradicional e o público, principalmente o infantil, seja tão grande. E uma das maiores recompensas que tive com meu trabalho foi escutar de um espectador que ele havia passado o tempo inteiro do espetáculo com vontade de tocar os figurinos”, conta o figurinista Leo Diniz.

O Travesseiro é a primeira peça infantil do meu grupo, a Velha Companhia, e a terceira que faço nesses 16 anos de teatro profissional. Nunca tive a real necessidade de falar ao público infantil e tinha até medo de ser catalogada. Essa vontade veio com a morte da minha irmã, o que deixou meus dois sobrinhos pequenos com aquele olhar de ‘e agora?’ Sinto que eles precisam conversar sobre a perda, e a arte é um veículo prazeroso para isso”, declara a atriz Virginia Buckowski.

Cada qual com sua função e com seus depoimentos sinceros e pessoais, esse time de entrevistados nos contempla com um panorama atualizado de como se consegue fazer teatro para menores numa cidade cheia de atrativos culturais como São Paulo.

Não percam amanhã (segunda, dia 24) nas bancas no Estadão (Caderno 2) e também neste blog.

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