ENCANTADORA DE HISTÓRIAS

Estadão

11 de agosto de 2010 | 17h55

Ela está com a corda toda. Começou na semana passada, no Teatro Tucarena, em São Paulo, a Trilogia Faz e Conta de teatro infantil, da premiada atriz Ana Luisa Lacombe, do Grupo Faz e Conta. Com 30 anos de carreira completados em 2010, Analú reúne, ao longo de quatro meses (de agosto a novembro), as apresentações de três espetáculos que compõem o repertório teatral de sua companhia: Fábulas de Esopo, Lendas da Natureza e O Conto do Reino Distante. Como eu escrevi em nota no Caderno 2 de domingo passado, ela é mais que contadora: é ‘encantadora’ de histórias.

Fiz cinco perguntas a ela. Vejam que máximo que é Ana Luísa Lacombe:

ana luísa lacombe: encantadora de histórias

ana luísa lacombe: encantadora de histórias

1)      Você acha que contadores de histórias sofrem preconceito no meio teatral? Qual? Por quê?

 Há uma onda  de contadores de histórias. Uma enorme quantidade de artistas vendo neste filão mais uma possibilidade de ganhar um cachê e um espaço no mercado cultural. Tem muita gente boa e tem muita gente que só quer a sua fatia e não entende nada da arte de narrar. Portanto, há uma confusão entre: os contadores de histórias que não gostam que se use recursos teatrais porque acham que descaracteriza a arte de narrar e os atores que acham que a narração de histórias é um teatro pobre e mal acabado, por conta desses oportunistas.

Acho que a questão é de cá para lá e de lá para cá.

No meu ponto de vista, acho que as duas artes, a narrativa e a teatral, podem se misturar, se amalgamar e se apropriar de recursos uma da outra e de todas as outras linguagens artísticas, desde que isso seja feito com propriedade. A arte não tem limites. O artista pode fazer o que quiser. Se fizer com propriedade terá o reconhecimento do público que é para quem ele se dirige.

2)      Você consegue fazer um casamento rico e harmonioso da fábula narrada com a dramaturgia e as especificidades todas das artes cênicas. Qual o segredo?

Penso muito sobre isso. Discuto muito sobre o teatro e o contador de histórias. Ensaio demoradamente meus espetáculos, diferentemente da narração, que preparo com menos ensaios. O contador de histórias é mais informal, mais solto, vai muito de acordo com o público, ouve o que se fala na plateia e se apropria dessas informações. Isso não faz com que seja arte de menor qualidade, mas sim que seja outra proposta. Essa soltura me deu mais naturalidade com o texto. Essa soltura me deu um relaxamento. Levo essa aprendizagem para palco. Mantenho o formalismo do teatro, de fazer sempre a mesma marcação, o texto decorado e cada gesto estudado. Mas trago este “à vontade” que o exercício como contadora de histórias me deu. Os espetáculos teatrais, eu ensaio entre 7 e 12 meses, as narrações de histórias ensaio 15 dias ou um mês.

 3)       Como você escolhe os temas de seus espetáculos?

 Cada um foi por um motivo. O “Fábulas de Esopo” foi a coincidência de ter ganhado um livro com fábulas de Esopo e estar próxima do músico e poeta Paulo Garfunkel. Fábulas se prestam muito a textos rimados e foi sopa no mel. O texto do Magrão  é genial!

O Lendas da Natureza foi consequência de uma pesquisa que eu já vinha fazendo com mitos dos índios brasileiros. Gosto das histórias dos nossos índios e quis contá-las.

O Conto do Reino Distante foi o último da Trilogia. Eu queria entrar no universo dos contos de fadas. Tinha acabado de ler, Marie Louise VonFranz, reler Bettleheim e um livro que adorei “Fiando Palha, Tecendo Ouro” ,entre outros. Precisava fechar a trilogia e queria uma princesa que terminasse sozinha e feliz. Quis uma história inédita que a Simoni Boer escreveu com maestria.

 4)       Você foi uma criança que já deixava pistas de que viraria atriz e contadora de histórias? (adorava livros, lia em voz alta, representava na escola, coisas assim)

 Fui sim. Por um lado, era toda certinha, boa aluna, caxias. Por outro, quando tinha teatro estava sempre à frente dos projetos. Ganhei concurso de leitura em voz alta, e sempre que tinha que apresentar trabalhos para toda a turma escolhia a forma teatral para apresentá-los, com figurinos, cenários, performances. Fui aluna do Ilo Krugli aos 7 anos de idade no NAC (Núcleo de Artes Criativas no Rio de Janeiro) e sempre gostei muito de ler. Além disso, meus pais sempre incentivaram que experimentássemos as artes,então tive aulas de violão, balé, teatro, artes plásticas

 5)      Qual dos seus espetáculos faz mais sucesso com as crianças? E com os adultos?

 Com as crianças, Lendas da Natureza. É o que abrange a maior faixa etária de interesse. Os adultos… Não sei se Fábulas de Esopo ou o Conto do Reino Distante. Os dois são muito bem recebidos pelos adultos, cada um por motivos diferentes: um pela graça, ironia das histórias e agilidade de performance; outro pelas emoções que a história provoca e como ela acaba envolvendo também os pais na aventura da princesa.

VEJA AGORA UM POUCO SOBRE CADA UMA DAS PEÇAS DA TRILOGIA:

Fábulas de Esopo (2003)

7 a 29 de agosto de 2010 – Duração: 45 minutos

Idealização Ana Luísa Lacombe Texto e Músicas Paulo Garfunkel Direção Gustavo Trestini Com Ana Luísa Lacombe Percussão e Sonoplastia  Betinho Sodré Concepção e confecção de figurinos e adereços Ana Luísa Lacombe Desenho de Luz Aline Barros Produção Cia Faz e Conta

 Lendas da Natureza (2006)

4 a 26 de setembro de 2010 – Duração: 45 minutos

 Seleção e adaptação dos mitos indígenas Ana Luísa Lacombe Direção e texto final Simoni Boer Com Ana Luísa Lacombe Trilha sonora incidental e direção musical Sérvulo Augusto Música de abertura Paulo Garfunkel Música da Chuva Gustavo Kurlat Concepção e confecção de cenário, figurino e adereços Ana Luísa Lacombe Trabalho Corporal Joana Mattei Iluminação Aline Barros

O Conto do Reino Distante (2008)

9 de outubro a 21 de novembro de 2010 – Duração: 55 minutos

 Idealização Ana Luísa Lacombe Texto Simoni Boer Direção e espaço cênico Paulo Rogério Lopes Elenco Ana Luísa Lacombe e Sarah Elisa Viana Musical Original e Trilha Sonora Sérvulo Augusto Desenho de Luz Aline Barros Figurinos Ana Luísa Lacombe Trabalho de corpo Renata Melo Realização Grupo Faz e Conta

 Local: Tucarena – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes – Entrada pela Rua Bartira
Capacidade: 300 lugares Acessibilidade total

Temporada: Sábados e domingos às 16 horas

Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia) // Compra de ingresso pelo telefone (11) 2626-0938. Taxas por telefone R$ 8,00 pela internet R$ 10,00 // Compra pela internet: www.compreingressos.com Bilheteria: Ter a Dom, das 15h às 20h. Aceita cartões de débito Visa e RedeShop Estacionamento conveniado: R$ 10,00 – Riti Estacionamentos – Rua Monte Alegre, 835 – 3167-7111

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