DEBATE SOBRE TEATRO INFANTIL NA VOLTA DA REVISTA APARTE, DO TUSP.

Estadão

02 de janeiro de 2011 | 18h39

Gente, no fim do ano, voltou a circular a histórica revista APARTE, do Teatro da Universidade de São Paulo. E nesse número da volta, tive a honra de contar com um capítulo só pra mim, com um debate realizado no Tusp com alguns empreendedores do nosso setor de teatro infantil.

Vejam um trecho da minha entrevista. E procurem a revista pra comprar! Está demais, com artigos de Sebastião Milaré, Luiz Carlos Moreira, Marco Antônio Rodrigues, Kil Abreu, Aimar Labaki, Hugo Possolo e, no último capítulo, a transcrição integral da peça O LIVRO, de Newton Moreno.

Lá vai meu aperitivo, bem polêmico, aliás. Vejam se concordam ou se querem debater mais:

Dib – Vocês todos concordam com isso: hoje, se você está organizado em grupos, em companhias, em coletivos, é mais fácil fazer teatro?

Cláudia Vasconcellos – Eu acho que as próprias leis de incentivo dão preferência para grupos que têm continuidade e tal. Então, por exemplo, se eu estou com um projeto de minha autoria, eu convido diretor, convido ator e crio o meu grupo, ué.

Vladimir Capella – Eu sou completamente contra, detesto grupo, acho uma neurose – e agora as leis são só para grupo… Eu não sei o que é um grupo, por exemplo, eu trabalho com o Serroni há anos no cenário e figurino, com o Davi de Brito na luz, com o Dyonisio Moreno na trilha… é uma equipe, sempre a mesma, que cria junto comigo… Isso não configura um grupo? Sabe, essa coisa de grupo, cara, é coisa dos anos 70… Teve uma época em que isso teve sentido, teve mesmo, nos anos 70, mas agora é velho, entende?

Ângelo Brandini – É só um modo de produção…

Ilo Krugli – Ah, por favor, vamos ter cuidado. O teatro é e sempre será coletivo. Há formas e formas de organização e de produção, mas o teatro é uma arte coletiva.

Vladimir Capella – Sem dúvida, Ilo, estamos falando a mesma coisa. Mas eu apenas acho que alguns grupos se dão bem e tal, e eu estou falando do critério para distribuir os apoios.

Ilo Krugli – É muito difícil manter um agrupamento por tantos anos. É como saber manter um casamento. Eu fui uma vez falar com o chefe maior do Sesc de São Paulo, o Danilo Santos de Miranda, e o Danilo sabe das minhas histórias todas, como e quando eu cheguei neste País… Ele sempre me vê e vem me beijar a mão. Mas nesse dia, de repente, ele me exclamou: “Mas, Ilo, você é outsider!” Até hoje não sei se ele me xingou ou me elogiou… Conto isso porque, mesmo fazendo parte de um grupo, o Ventoforte, tenho muitas dificuldades para conseguir apoio, porque as pessoas me vêem assim, como um solitário resistente, um cara diferente. Eu só digo uma coisa, cuidado com os preconceitos, porque a sociedade tem, sim, que se agrupar para lutar.  Há períodos em que eu e meu grupo somos destruídos, alienados dos projetos e dos apoios, alijados… 

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