APCA: OS MELHORES DE 2009

Estadão

05 de abril de 2010 | 22h40

Logo mais, no Sesc Pinheiros (sempre o Sesc apoiando esses momentos!), será a entrega dos troféus da Associação Paulista dos Críticos de Artes, a APCA, aos melhores de 2009. A lista dos melhores já foi divulgada no fim do ano passado. Mas relembro aqui para vocês quem estará no palco recebendo seus merecidos troféus, na nossa área de teatro infanto-juvenil. Parabéns a todos.

Melhor Espetáculo: BUUU!!! A Casa do Bichão

 O premiado grupo As Meninas do Conto brilhou mais uma vez em 2009 com um espetáculo “de dar frio na barriga”. Inspirado nos contos populares Gaspar Eu Caio, versão do escritor Ricardo Azevedo para uma narrativa popular brasileira, e O Sétimo Dono da Casa, de origem norueguesa, coletado por Peter C. Asbjornsen, a peça, com direção de Cristiane Paoli Quito, falou sobre o medo de enfrentar a vida, que origina todos os outros: medo do desconhecido, do que se imagina, das sombras, do escuro, de barulhos estranhos, de vozes, etc. No palco, a graça e o talento de Kika Antunes, Simone Grande e Girlei Miranda.

 Melhor Direção: Ilo Krugli, Por O Mistério Do Fundo Do Pote Ou Como Nasceu A Fome

Inacreditável como o veteraníssimo Ilo Krugli continua esbanjando talento e vigor criativo, sem cair na mesmice. Sua garra de atento encenador faz com que não corra o risco de ficar ultrapassado com sua estética artesanal, difundida no Brasil a partir dos anos 1970. Em 2009, orquestrou magistralmente um espetáculo musical com elenco numeroso e um sensível retrato de deficientes visuais. Ilo, à frente de seu incansável Ventoforte, conduziu tudo com mão firme e extremo rigor cênico.

 Melhor Texto: Com o Rei na Barriga, de Amauri Falseti

 Um rei que pensa ser mais do que é, um príncipe que não quer casar, um monge sábio e humilde e uma menina que não abre mão de sonhar. Juntando esses e outros encantadores personagens, o autor Amauri Falseti realizou um impecável e detalhado trabalho de adaptação de contos populares tradicionais, pinçados com extremo rigor dos livros Novas Histórias Antigas e O Homem Que Contava Histórias, de Rosane Pamplona. Seu trabalho de garimpeiro de palavras atingiu um nível e um ritmo raras vezes vistos em nossos palcos.

 Melhor Figurino: J.C. Serroni e Telumi Helen, por O Colecionador de Crepúsculos.

 Parceiros freqüentes das maravilhas cênicas perpetradas por Vladimir Capella, mais uma vez a dupla Serroni e Telumi teceu, costurou e bordou as fantasias sem limite de um grande espetáculo para jovens. Os figurinos, repletos de informação e criatividade, contribuíram para enriquecer as histórias coletadas por Câmara Cascudo da cultura popular.

Melhor Cenografia: Beto Andreetta, por Filhotes da Amazônia

Palhas, caçambas, tintas e cordas transportaram a plateia de mais este sucesso do grupo Pia Fraus para os mistérios da Floresta Amazônica. O cenário do Beto, ao mesmo tempo simples e impactante em sua funcionalidade e graça, contribuiu decisivamente na tarefa nobre de despertar nas crianças de cidade grande a afetividade pela natureza já doente deste País.

Melhor Música: André Abujamra, por A Bruxinha Atrapalhada

Este talentoso músico e compositor de trilhas para cinema, teatro e televisão fez um trabalho decisivo neste espetáculo sem palavras, em que a música pontuava cada cena, preparando climas, consolidando ações e armando o bote. Deliciosas notas musicais encheram de harmonia e susto as estripulias da inesquecível bruxinha criada por Eva Furnari.

 Prêmio Coletivo de Elenco: A Odisseia de Arlequino

Poucas vezes se viu elenco tão numeroso conseguir ser tão harmonioso e igualmente competente no mesmo espetáculo. Aqui, as brincadeiras e homenagens aos clássicos personagens da commedia dell’arte caíram como uma luva para o talento de cada um dos atores e atrizes da Companhia da Revista. São eles: Veridiana Toledo, Evandro Soldatelli, Daniela Cury, Juliana Bógus Saad, Velson D’Souza, Márcio Bueno Dias, Greta Antoine e Daniela Lobo.