O dia do desapego literário

O dia do desapego literário

A campanha Esqueça Um Livro convida leitores a espalhar a literatura pela cidade

Danilo Venticinque

25 de julho de 2017 | 07h27

Acumular livros é um grande prazer para a maioria dos leitores, mas há momentos em que vale a pena questionar esse hábito. Todos nós temos algumas obras favoritas, é claro. São livros que gostamos de reler de tempos em tempos, e não há nada de errado em tê-los sempre ao nosso alcance. Se não tomarmos cuidado, no entanto, nossas estantes podem se tornar verdadeiros cemitérios literários: lugares onde um livro, depois de lido, está condenado a passar a eternidade acumulando poeira sem nunca voltar a ser aberto.

Há três anos, com uma estante abarrotada, o jornalista Felipe Brandão decidiu que era hora de praticar o desapego e deixar que seus livros fossem descobertos por novos leitores. Começou com os que mais gostava, deixando-os em lugares públicos de São Paulo, cada um com um bilhetinho explicando por que a obra era importante. “Fotografei, coloquei nas minhas redes sociais e logo começou a se espalhar”, diz Felipe. A ideia incentivou outros leitores a fazer o mesmo. Foi assim, de maneira despretensiosa, que surgiu o projeto Esqueça Um Livro.

Felipe Brandão, criador do projeto Esqueça Um Livro

Baseado no conceito de BookCrossing, que surgiu nos Estados Unidos, o Esqueça Um Livro convida leitores a espalhar a literatura pela cidade. “A ideia central é exercitar o desapego literário, esquecendo livros em locais públicos, para levar o conhecimento para novos leitores”, afirma Felipe. A ideia conquistou uma multidão de leitores desapegados, que ganharam o apelido de “esquecedores”. São mais de 45 mil, segundo a página do projeto no Facebook.

Nesta terça-feira (25), Dia Nacional do Escritor, Felipe e seu exército de esquecedores convidam leitores de todo o Brasil a desapegar-se de livros que estão parados em suas estantes e “esquecê-los” por aí, em lugares onde novos leitores possam descobri-los. É uma bela campanha para encher o país de livros e espalhar a paixão pela literatura.

“Basta esquecer um livro num local público, com um recadinho para quem encontrar. Quem quiser pode tirar um foto e postar nas redes sociais com a hashtag #esqueçaumlivro, para ajudar a divulgar a campanha”, diz Felipe. “A ideia é espalhar conhecimento, então não existe só este formato. É possível doar livros para a biblioteca do seu bairro, dar de presente aquele livro que você gostou para um amigo, e assim por diante. Acho importante que o livro circule que ganhe novos leitores. Desapegar nos deixa mais leves. Quando fazemos isso por um bem maior, a sensação é maravilhosa.”

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