O museu que não envelhece, porque não nasce

Cristina Padiglione

29 de julho de 2008 | 20h04

A TV Cultura se mobilizou para botar de pé o tal Museu da TV, obra que já dura 13 anos no papel, cheia de boas intenções, cheia de apoios verbais, mas que nunca ganhou sede em carne e osso, digo, em cimento e tijolo.

Deu no que deu. A emissora pública apresentou a proposta com apoio da Secretaria de Estado da Cultura e da prefeitura de São Paulo, que cederia a Casa das Retortas, no Brás, para abarcar o projeto.

Acontece que a coisa toda chegou pronta às demais emissoras, e houve quem argumentasse, com razão, que ceder material para o novo empreendimento, sem ter participado efetivamente de sua criação, não seria justo. Johnny Saad, dono da Bandeirantes, foi um deles.

Deu no que deu. O museu voltou ao papel. Estado e Prefeitura, temendo associação política (convém evitar que se aponte favorecimento do governo estadual à emissora pública ligada a este governo) retiraram seu time de campo e passaram a esperar pelo entendimento entre as ditas partes, TV pública e privada.
A Secretaria de Estado da Cultura disse ao Estadão que o projeto foi adiado “porque faltou entendimento entre as televisões privadas que, ao final, seriam as responsáveis pelo museu”. “Dada a postergação e a necessidade de um local para instalar o novo Museu da Historia de S. Paulo, o governo do Estado solicitou o espaço (ou seja, a Casa das Retortas, antes prevista para o Museu da TV) à prefeitura para a instalação desse museu.”

Deu no que deu.
Presidente da Pró-TV, associação de veteranos do tubo e responsável pela idealização do Museu da TV, distribuiu comunicado para lamentar o episódio
e, coragem, dizer que “a luta continua”. Eis o desabafo da atriz do primeiro beijo da TV:

“A LUTA CONTINUA

Em nome da Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira, aqui estou eu, Vida Alves, sua presidente, para dizer a todos que a nossa luta continua.

E sua finalidade é montar o Museu da Televisão Brasileira. Ou melhor, que fique claro, daqui por diante, o Museu do Rádio, da Televisão e Novas Mídias.

Essa luta não é de hoje, todos sabem, pois a mídia sempre, graças a Deus e aos amigos, nos apoiou, nos divulgou e deu importância ao nosso ideal. Afinal São Paulo, esta grande capital brasileira que tudo tem, e disso se orgulha, não possui um Museu da TV. E foi aqui, nesta cidade que aos meus olhos de Cidadã Paulistana, agraciada, que fui pelos edis da cidade, é rica, é cosmopolita, e é linda. Recebe um constante fluxo de visitantes todo mês, todo dia, toda hora. E não será mais que justo mostrar a eles a história da televisão brasileira que aqui nasceu em 18 de setembro de 1950 e que depois, se espalhou por todo o Brasil, para se transformar num produto de cultura e de união de nosso povo?

Temos a certeza que sim. E por isso continuaremos lutando para que assim seja, que assim aconteça.

Começamos há 13 anos. Uma pequena idéia. Um pequeno Museu. Lutamos. Batemos em muitas portas políticas e empresariais. Ampliamos. Agora queremos incluir o Rádio e as Novas Mídias, pois somos cidadãos de nosso tempo, e acompanhamos a hora. Para isso registramos nosso Museu no IPHAN –Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

E mais. Fomos à Câmara dos Vereadores. Obtivemos o apoio do Vereador Dr. Farhat e ele conseguiu a aprovação da lei, que autoriza o Museu e foi sancionada em maio pelo digno prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Obtivemos o apoio total da Fundação Padre Anchieta e de seu presidente Paulo Markun, assim como de Jorge Cunha Lima, que é presidente do Conselho Curador da Fundação.

Trabalhamos para dar o start, através de uma festa, na qual deveriam estar todos os donos e diretores das demais redes de emissoras brasileiras. A idéia ficou grande, a festa deveria ser à altura.

De repente… um mal entendido, um percalço, uma pedra.

Mas, como bem disse o poeta: no meio do caminho tinha uma pedra.

Mas o que é uma pedra, para quem quer caminhar?

Haverá é de ser pulada, haverá do mal entendido ser desfeito.

Haverá de haver o acordo entre os representantes tão dignos e capazes de nossas emissoras. Haverá de ser afastada essa pedra, que nos deteve agora.

Pois a luta continua. Nossa pequena equipe, na verdade não é pequena. Ela representa a garra, ela representa a raiz e ela representa a história tão bonita, que foi a implantação da TV no Brasil, 1ª da América Latina, 4ª do mundo, que há de estar contada em um Museu, e esse Museu não é de uma emissora, ou de uma pessoa. É de todos. É de São Paulo. É do Brasil!

Vida Alves”

Presidente da Pró-TV

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