Ti-ti-ti honra o clássico de 85

Cristina Padiglione

21 de julho de 2010 | 00h12

Publico a seguir a crítica impressa no Caderno 2 de hoje, mais um ou outro enxerto que lá faltou, sobre o primeiro capítulo de Ti-ti-ti, nova novela das 7 da Globo.

A música da abertura está lá, a mesma, agora com Rita Lee, mais bossa e menos adrenalina juvenil do que aquela registrada na gravação do Metrô (a banda, convém avisar aos mais novos, e não o trem). O enredo central é de 1985, de Cassiano Gabus Mendes. As tesouras e agulhas da abertura lá estão, 25 anos depois, como dantes. Outros acordes também remetem aos idos em que Jacques Leclair era Reginaldo Faria e Victor Valentim, Luiz Gustavo (até um Overjoyed, by Stevie Wonder, escapou em cena).
Ainda assim, a novela que Maria Adelaide Amaral trouxe à tona na faixa das 19h da Globo dá pinta mais original que muito folhetim dito inédito.
Não vale dizer que novela é tudo igual. A dramaturgia de Cassiano merece montagens e remontagens à vontade. Ao preservar parte do figurino dos anos 80, digo, a abertura, a trilha e o fio condutor, a nova Ti-ti-ti afaga os saudosistas e estende a mão aos menores de 30. Se uma peça de teatro, com texto repetido pelos mesmos atores por meses, produz um espetáculo diferente a cada dia, que reforma não opera uma mudança inteira no elenco, 25 anos depois? Bingo, é outra novela.
Ponto essencial para reprisar o sucesso, a escalação dos protagonistas vem a calhar. Alexandre Borges e Murilo Benício são os caras certos na hora certa nos papéis certos. Uma espiada em volta e tropeçamos em vários exemplares “made in Malhação”, apostas da Globo em “novos talentos”. Quem sabe não foi isso que faltou no passado, a ponto de Mauro Mendonça, recém-enterrado na novela das 9, ressurgir de novo como ricaço? Foi a coisa mais déjà vu da nova Ti-ti-ti. Concorre, quase ia me esquecendo, com aquela vocação irresistível que o diretor Jorge Fernando tem para o pastelão: só em um capítulo, uma panqueca caiu no rosto de um sujeito e uma fatia de rocambole de carne voou pelos ares.
Avanço notável é que nunca antes na história da novela das 7 um casal gay trocou tanto afeto como os personagens de Gustavo Leão e André Arteche. A má notícia? Um deles morre num acidente. Com sorte, logo estará em outra produção da casa.

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